Wednesday, November 17, 2010
Vestindo a camisa
- Bom dia, dona, é... vai ser o que? – falou olhando pra baixo
- Bom dia! Gasolina comum. Pode completar.
- É... cartão ou dinheiro?
- Cartão.
- Confere na bomba então, dona.
Ele foi pegar a máquina de passar cartão e voltou com uma nova, toda modernosa, devia ser dessas Cielo.
- Nossa, que máquina linda! Muito chique, hein, menino?
O frentista continou olhando pra baixo mas sorria orgulhoso. Ele disse na maior inocência:
- Ô dona, muito obrigado.
Foi seu primeiro elogio no trabalho novo.
Friday, November 5, 2010
Ao meu alcance
Monday, October 25, 2010
Mágoas são para humanos
Foi o dia em que eu pisei na patinha do meu cachorro.
Explicando-me melhor: Veludo, o cão em questão era apenas um filhote de 2 meses. Estava lá em casa há 3 semanas e andava atrás de todo mundo. Atrás mesmo. Tinha que ter cuidado pra não pisar no pobrezinho. Ele ainda estava na fase de chorar a noite: "cadê a minha mãe"? E se sentia mais seguro quando esses bípedes que não latem e nem se cheiram estavam por perto. Por isso ele andava colado na gente.
Um dia me descuidei e pisei sem querer naquela patinha minúscula. Foi um aperto no meu coração seguido de um berro do Veludo e uma mordida no meu pé. Mordida forte, que claro que não doeu como a pisada, o Veludo nem dente direito tinha. Mas dava pra sentir a indignação dele. Instintiva ou não, preferi entender a atitude do filhote de daschund como sinal de maturidade. Como se ele me disesse, "você pisou no meu calo (literalmente), vamos resolver agora", tanto é que depois da mordida, ele já era todo amores de novo, só que nunca mais andou atrás de mim.
Voilà
http://www.taringa.net/posts/musica/2413565/Megapost-Musica-en-Frances-Segunda-Parte.html
Tem muita coisa ruim, mas tem coisas ótimas também. :)
Bisous.
Thursday, October 7, 2010
My personal google
Sempre falo com ele, olha no Google, papai. Sei lá se ele olha ou não, o fato é que o Seu Vicente é um Google espontâneo, muito confiável, e muito mais simpático. Espontâneo porque me passa informações sem que eu esteja procurando, e não são poucas. Confiável, porque aquele lá não tem nada de wikipedia, fala e cita as fontes. Simpático porque... já pensou em conversar com o Google?
- E aí, Google, beleza? Nossa, cara, tô precisando saber umas coisinhas...
- Fala, Carina, como é que você tá hoje? Resolveu aqueles problemas?
Ok, acredito que haveria pessoas que não gostariam de um Google conversador, mas tudo bem. Eu sou meio carente, gosto que conversem comigo e perguntem da minha vida.
Voltando ao meu pai (dos burros), hoje de manhã, enquanto eu comia, falávamos um pouco de portunhol, frantuguês e italiguês como de costume, aí ele me ensinou uma coisa que pode ser completamente desnecessária para minha vida, mas que eu gostei tanto de saber!
Quase todas as palavras começadas com Al e algumas com A da língua portuguesa vêm do árabe! Olha que interessante. Aí, claro, eu tive que testá-lo.
- Álcool? Alfinete? Albergue? Alcova? Almoço? Alface? Almeirão? Almoxarifado? Alcaparra? Alcade? Almofada? Alpargatas? Alpendre? Arroz? Açúcar? Azeitona? etc? Almirante? – Essa ele não tinha certeza, abacate também ele não sabia (vou olhar no Google depois).
Enfim, falei tanta palavra começada com A que cheguei atrasada no trabalho como de costume.
Depois disso fiquei pensando como é bom ter esse Google em casa. Lembrei de um texto do Espalitando o Dente, em que ele fala que visita à família não pode durar mais do que 20 minutos. Eu entendo isso e concordo em partes. Mas para visitar a biblioteca chamada Seu Vicente tem que ser mais tempo. Tem que ser a vida toda e ainda é pouco. Me lembrei também do livro infinito de Borges. Não seria toda pessoa um livro infinito? As pessoas têm começo e fim, mas o que elas sabem não. Você pode viver mil anos que nunca vai conseguir saber tudo o que outra pessoa sabe. É como querer saber tudo que tem no Google, o verdadeiro.
Tuesday, September 28, 2010
Só enquanto chove
Só escutando os pingos batendo contra o vidro. Nem a minha música preferida consegue soar tão linda quanto a chuva à noite.
De dia é muito barulho, mas à noite é uma sinfonia com solos de pneus roçando as poças d'águas do asfalto. Sozinha consigo escutar tudo isso.
Consigo escutar também o meu desejo que me pede para ficar só. Queria ficar assim para sempre. Mas como diz dona Glícia:
- Loucura mesmo é ficar só.
Monday, September 13, 2010
Azul cor de unha
- O que faz aí, papai?
- Vim pegar um solzinho, tá frio lá em casa - e sorria escondendo a verdade dos seus olhos.
- A lagoa tá feia, não tá?
- Não. Tô achando a vista bonita. Aqui é muito bonito.
- Bem, acho que tem uns lugares melhores, antes das capivaras, vai lá dar uma olhada, agora tenho horário no salão.
- Ah, vai fazer as unhas? e olhou para as minhas mãos pintadas com esmalte azul.
- Aham, vou.
- Passa vermelho dessa vez. Não me entenda mal, eu adoro azul, mas o azul fica mais bonito em outras coisas que não unhas.
- Pode deixar, papai - eu ri - Vou passar um rosa bem feminino, combinado?
Deixei meu pai com a minha irmã e fui ao salão. Quando voltei, os olhos dele brilhavam. Ele tinha conhecido três aeromodelistas e estava impressionando com os pequenos aviões. Já sabia de tudo, das baterias, do peso, do material de que eram feitos. Ele achou incrível que aqueles "brinquedos" pudessem voar. Acho que ele conseguiu voar também. Para bem longe. E quando voltou da pequena viagem, estava melhor. Dava para ver no seu sorriso límpido que não tinha nada a esconder.
Ele precisou de tão pouco. Só de um azul cor de céu.
Monday, August 30, 2010
Café forte pra acordar
Ela mexeu um pouco para que ele se despertasse “naturalmente”.
- Bonjour – disse ele com a voz de sono e os olhos meio fechados. Ele era carioca, mas seu pai, francês. Falava muito bem a língua e ela estava aprendendo, apesar de que, bêbada, falasse melhor.
Ficaram mais um pouco na cama e ela ia lembrando de como tinha sido. A cantada dele, o primeiro beijo...
- Se você quiser pode tomar um banho, pego uma toalha para você...- e interrompeu os pensamentos dela.
- Ah, vou querer sim – ela respondeu imaginando como seria o dia dos dois e tomou banho, explorando os shampoos e os condionadores de marcas que nunca tinha visto em um idioma que não entendia muito bem.
Chegou no quarto enrolada na toalha e ele foi logo lhe avisando:
- Olha, sem querer ser chato mas já sendo, vou ter que te pedir pra sair, porque tenho que trabalhar.
Por essa ela não esperava, vestiu a sua cara de pau e disse:
- Tudo bem, mas e o meu café-da-manhã?
- Sabe o que que é? Não tive tempo de fazer compras essa semana e a minha geladeira está vazia.
- Ah...
Dessa vez vestiu foi a roupa da noite anterior e saiu. Por sorte tinha trazido o mapa do metrô. Andando ao meio dia com aquele salto alto, meia calça preta e vestido ela sentiu uma certa vergonha, pensava se as pessoas achariam que ela era uma puta. Sempre tinha essa sensação quando usava a roupa da noite anterior.
Chegou no metrô. Depois que a ideia de “acham que sou puta ou não?” saiu da sua cabeça pensou na falta de educação do seu anfitrião.
- Porra! Nem um mísero pão de café-da-manhã? O cara me come a noite toda e de manhã não me dá nada pra comer? – o trocadilho era inevitável, mesmo sentindo seu estômago e a sua raiva se corroendo em ácido gástrico.
Depois desse evento, ela se tornou militante do café-da-manhã do dia seguinte. Escreveu um manifesto para todos os seus amigos. Arrumou um bando de pessoas prol do desjejum. E muita gente aderiu à causa.
Passou muito tempo cultivando o ódio contra os desprovidos de geladeira cheia, quando um dia leu no Livro do riso e do esquecimento do Milan Kundera:
“Oh, amantes, sejam prudentes nesses perigosos primeiros dias! Se levarem
para o outro o café-da-manhã na cama, terão de levá-lo para sempre,
se não quiserem ser acusados de desamor e de traição."
Aquela revolta toda contra os desertores da refeição matinal desabou na frente dos seus olhos, porque percebeu que café-da-manhã tinha um significado maior do que a primeira refeição do dia. O desjejum significava afeto, atenção, carinho, algo que um amor fast food não é capaz de dar. Ela estava procurando amor no restaurante errado.
Monday, August 16, 2010
Era pra ser melhor
- Ok. Você venceu. Mandioca frita com carne de sol.
Sunday, August 1, 2010
Perdão por te profanar, JL.
Amo como uma imortal, porque sei que o amor é mortal.
Sunday, June 27, 2010
Friday, June 18, 2010
Corro demais
*Créditos: Rei
Thursday, June 10, 2010
Deixa...
Reviu suas fotos. Aqueles momentos congelados por uma digital não eram ele. Não tinham voz, nem cheiro. Por mais que doesse a saudade, não queria se livrar dela. Já vivia com essa nostalgia. A falta dele era agora parte dela. Foi assim que decidiu a não lutar mais contra isso. Não dá para vencer a si mesmo, muito menos com pequenas trapaças.
Tuesday, June 8, 2010
Monday, May 31, 2010
Órfã
Fechei a contra capa. Agora olho fixamente para a estante de livros. Dezenas deles me olham de volta esperando a sua vez.
Terminar um livro é morrer um pouco. Não é fácil despedir-se daqueles personagens que passam pelas nossas vidas traduzindo-nos em linhas nunca antes lidas, mas de súbito reconhecidas.
Agora é luto, que passa com outra história para renascer e morrer de novo.
Ps: Obrigada, amigo Tapioca, pelo presente de luto.
Tuesday, May 11, 2010
C'est la vie
Acordei com o sol queimando meus pés. Estiquei a coluna com preguiça e continuei lá parada, deitada de bruço observando só o que o meu campo de visão permitia.
Primeiro vi uma formiga grande, daquelas de bunda vermelha, ela se aproximava de mim com pressa. Andava desajeitada e feia, contornando a topografia do terreno. Logo depois apareceu um passarinho branco de cabeça preta, tão elegante que parecia dançar balé. Ele dava passos curtos sem perder a postura. Era bom observar aquela ave. Era leve. Acho que poderia ficar lá o dia todo só vendo ele se mover com graça. Depois de alguns minutos de contemplação senti uma picada no pé. A formiga me picou.
Thursday, April 29, 2010
Abaixo a ditatura do final triste
Famílias desfuncionais, holocausto, guerra, ditadura, traições e doenças terminais são os preferidos de todo e qualquer festival.
Gosto muito destes tipos de filme, antes que me acusem de Poliana. Se a história é bem contada ou tem poesia, para mim está ótimo. Mas nesta busca pelo realismo, ou pela “a vida como ela é” perdeu-se algo muito importante: a vida também pode ser bonita, as pessoas podem ser boas e os finais podem ser felizes.
Um parêntesis: quando falo de final feliz, não me refiro àquela fórmula hollywoodiana de romances e comédias românticas em que o fim é advinhando no início, quiçá no cartaz, tamanha a previsibilidade.Fecha parêntesis.
Claro que o final mor - a morte - é triste. Mas dentro da vida de uma pessoa existem muitos momentos alegres. Como é bom ver um momento desses na tela dentro de uma hora e meia ou mais de duração. Uma história que acaba enquanto os personagens estão bem. Pode até ser que depois dos créditos um personagem traia o outro, ou alguém contraia uma doença fatal. Não quero saber. Quero ir para casa com aquele momento emoldurado em uma hora e meia ou mais de duração.
Escrevi esse texto anterior inspirada pelo último filme que vi: O segredo dos seus olhos, do argentino Juan José Campanella.
Tuesday, April 13, 2010
O vazio existencial entre o almoço e o lanche
Wednesday, April 7, 2010
Variação das folhas de outono
Tuesday, March 16, 2010
Euphémisme
Ok, mesmo que não seja, olha que eu aprendi ontem na aula. Pinta, em francês, é grains de beauté, que traduzido ao pé da letra é grãos de beleza. Ah! Tem coisa “mar” linda que isso? Só se for pernambuquês.
Wednesday, March 3, 2010
A dança da solitária
Todo o meu rebolado sumiu. Não tem jeito. Não sei dançar acompanhada. Só danço só. A música ia rolando e eu tive que me desculpar, olhe, só danço só.
Já tentei mas não consigo, por mais que eu goste de música para dançar juntinho, não dou conta.
E por mais que eu goste de amar não sei ficar junto. Falta-me o jogo de cintura, falta deixar-me levar, falta olhar nos olhos e não para o chão. Falta a confiança. Aprender que pisar no pé é normal e não é falta grave.
Tuesday, March 2, 2010
Por qué tanto perderse?
Becos misteriosos de onde saem outras línguas
Ladrões de bolsas, gritaria
Beleza gótica e também sombria
A noite apressada que chega antes do sol se por
E preguiçosa, que só acaba muito depois que o sol nasceu
Barcelona chora suas pessoas sozinhas
Faz festa todos os dias para abafar os lamentos
Se acorda, se vive, se come, se fode
Buenos dias y adiós.
Na cidade dos que querem se encontrar
Quem sabe em uma de suas esquinas densas e escuras?
Não se sabe o que se procura
Espera-se o acaso
Vão-se embora
Os que ficam é por ilusão
Porque na rua é férias
Todos são passageiros
Vêm e se vão.
Monday, March 1, 2010
Little shell
Talvez eles estivessem certos, mas o fato é que nenhum dos meus amigos dormiu com ele para saber como é difícil esquecê-lo. Não me refiro a sexo (que também é incrível), estou falando de pós-coito.
Aquele safado bem sabia fazer um cafuné e dormia abraçadinho a noite toda. Ou nossos corpos encaixavam muito bem ou ele era um especialista na arte da conchinha.
A maioria dos caras te abraçam por 2 minutos e depois já viram pro lado, de costas para você. Acho isso um absurdo, sabia? Pra dormir com alguém assim, prefiro o conforto da minha cama vazia.
Nada mais gostoso do que ser rapidamente acordada no meio da noite com ele buscando o encaixe do meu corpo. E a gente conseguiu encaixes anatômicos maravilhosos. Como diria o Caetano, "é só um jeito de corpo". E continuando com a música: "perigo é perder você, mas mesmo na deprê, chama-se um Gilberto Gil."
Que venha o Gilberto Gil!
Sunday, February 28, 2010
Sem paixão
No seu beijo sinto todo o seu vazio.
Você não está lá quando estou.
"A razão porque mando um sorriso"
Sua lembrança chega como um vento frio no meu pescoço, me fazendo arrepiar até a ponta dos pés. Algo que que me leva a um sorriso de olhos e lábios fechados.
Penso em você sem tristeza. Já me conformei. Existem outras distâncias entre nós além da geográfica, que não sei se conseguiríamos encurtar. Para que tentar? Com você foi sempre imortalidade, final dos filmes de Honoré. Fim no susto e ausência de despedida.
Tuesday, February 2, 2010
O hino do fim
Nos ouvidos, contra a lei de trânsito, fones. Não tinha som no carro e tão pouco compraria.
Não me lembro bem quais músicas estavam tocando. Só de uma, que começava com um violãozinho e um teclado, uma estética bem mpb anos 80. Não fosse sua melodia linda, até poderia tê-la chamado de cafona. Já tinha ouvido aquela canção dezenas de vezes, mas nunca nem parei pra pensar no que o cantor falava.
Naquela noite, no meio do trânsito caótico e completando duas semanas de rompimento, pelo qual não havia derramado uma lágrima sequer, comecei a entender tudo. Tão automático como uma tradução simultânea. Foi aí que chorei. Ia entendendo e chorando.
Não. "Não mereço um beijo partido". E o verso libertador: "eu serei pra você o que não me importa saber". Desde então ouvi várias versões de Beijo partido, em português, inglês, instrumentais. Versões mais bonitas que a do compositor, como a da Nana Caymmi. Outras versões de términos nunca bonitas.
Beijo partido - Toninho Horta
Vale escutar com a Nana e com o Milton
Quem é?
Ontem e hoje não sou eu. É você refletindo a minha imagem naquele espelho que comprei no show de horrores e guardo em casa para os dias mais sombrios. Achei que você nunca fosse encontrar, ele estava bem escondido. Mas sempre chega o dia que eu tiro do esconderijo e o coloco na porta da minha casa: olha o meu espelho, ele me deforma! Parece loucura, mas essa sim sou eu.
Silêncio para escutar
Stella by starlight
Thursday, January 7, 2010
Silogismos
Thursday, December 10, 2009
Segredo
Você não tem nem ideia
do que provoca em mim
não deixo você saber
pra não te dar esse poder.
Dias chuvosos
O sol insiste em penetrar as nuvens chumbo
deixa chover, deixa molhar.
não é hora de azul
toda cor tem sua vez.
Thursday, December 3, 2009
Casa nova
Nada como ser bem relacionanda nessa vida, né?
Rafael Maia, um designer fodástico que eu amo de paixão, ouviu meus lamentos e deu uma repaginada na minha casa.
Estou apaixonada com a décor.
Rafa meu amor,
Amei. Amei. Amei.
Obrigada!
E quem quiser ver mais do trabalho desse designer que acaba de voltar da espanha, acesse (aproveitem que agora ele tá no Brasil):
Wednesday, December 2, 2009
Só os cães são felizes
Outro dia recebi um email daqueles bem cafonas, com um texto tenebroso falando sobre o amor pelos cães. Claro que fiz piada e pus pra fora todo o meu lado insensível, que sempre aparece quando o assunto é baranguice.
Hoje, no auge da minha TPM passei em frentre a uma pet shop e vi um filhotinho de pincher preso numa daquelas gaiolas/jaulas em que colocam os pobrezinhos. Fiquei hipnotizada pelos olhões tristes do cão e entrei na loja. Na maldita jaula havia uma placa " não toque os animais". Que raiva que me deu. Dava pra sentir que o bicho precisava de carinho.
Como eu não podia tocá-lo fiquei como uma boba fazendo gestos, caras e bocas e chamando-o de meu amor, fofura, lindeza de modeuso, até mandar beijo pro animalzinho eu mandei. E ele todo bonitinho balançando o rabo pra mim.
Quando caí em mim, todos os funcionários da loja estavam me observando. Ai que vergonha! Despedi do cão (tchau coisa mais "gotosa" da mamãe) e logo descobri quem é que está precisando de carinho.
Wednesday, November 25, 2009
Atraso
Aquele homem visto de trás com a flor daria uma bela foto.
Uma voz metálica de mulher saiu do interfone:
- Pois não?
- Eh... Lúcia?
- A Lúcia não mora mais aqui.- respondeu a mulher com segurança.
- Como não? Ela nem me avisou!
- Sinto muito, mas não tem nenhuma Lúcia...
- Espera um pouco. Não estou acreditando, você pode aparecer aqui fora só um pouco?
- Olha, eu estou ocupada...
- Só um minuto, queria deixar algo caso um dia ela apareça.
- Ok, mas só um minuto.
A mulher foi calmamente até o portão, tinha uma feição blasé.
- Lúcia?! É você! Porque mentiu pra mim?
- Não menti. Não sou Lúcia. Pra você, sou Luzia. Prazer.
Monday, November 16, 2009
Wednesday, November 11, 2009
Música boa
- Olha o gatinho ali, e é HT, viu menina?
Aproveitou da sua borrachera para dar um oi.
- Oi!
- Oi!
Ela saiu fora, ele a puxou pelo braço:
-Volta aqui.
E muitos blá blá blás depois, ficaram.
Bêbada, ela ficava atirada, e ele encantador, ou talvez fosse só uma ilusão de álccol.
- Vamos lá pra casa?
- Onde você mora?
- Aqui perto, num condomínio em Nova Lima.
- Ah, será? Você tem computador lá? Só vou se você deixar eu te mostrar uma música do meu mp3 player.
- Tenho um som lá. Serve?
- Mas toca mp3?
- É... não sei, a gente pode tentar.
- Ok.
- Vamos no meu carro?
- Não, prefiro ir no meu.
E ela foi seguindo o rapaz.
Chegaram na casa, que mais parecia uma casa de campo com quadras, piscina e nenhum móvel, só uma cama box de casal.
- Você mora aqui?
- Não, na verdade, essa é a casa de campo dos meus pais.
- Hum...
O som era daqueles microsystems velhos, que nunca teria uma entrada USB.
Na falta de música, foram para o único móvel da casa e lá permaneceram a noite toda.
De manhã acordaram e conversavam coisas banais e engraçadas. Até que ouviram barulhos pela casa:
- Parece que não estamos sozinhos.
- Putz, são os meus pais!
- Mas eles são tranquilos?
- Não. Nenhum pouco.
- Ai que vergonha! Vou pular a janela.
- Se quiser eu trago seu carro pra cá, você faria isso por mim?
- Acho que sim, essa situação seria embaraçosa, né?
- Sim, muito.
Beijou-a novamente e perguntou:
- Você tem namorado?
- Não, por quê? Você tem namorada?
- Tenho.
Ela tentou fingir a cara de surpresa, mas não se sabe se conseguiu.
- Ah é? E namoram há muito tempo?
- 3 meses.
- E cadê ela?
- Deixei ela em casa e saí. Muito chata. Muito carente.
- Hum.. Aqui, já tá ficando tarde, melhor eu ir embora.
- Ok. Vou trazer seu carro pra perto da janela, tá?
- Ah não, pode deixar. Vou pela porta da frente mesmo.
- Tem certeza? E os meus pais?
- Tem problema não, querido. Vou adorar conhecê-los.
Ela vestiu a roupa da noite anterior, arrumou a maquiagem e saiu se sentindo poderosa.
Os pais do garotinho estavam cozinhando o almoço.
Ela foi até a mãe, se apresentou, deu um beijo e um abraço.
- Almoça com a gente hoje - convidou a mãe.
- Não mãe, ela tem compromisso.
- É, hoje eu tenho compromisso, mas fica para próxima. A propósito, o seu jardim está muito bem cuidado.
- Obrigada - a mãe sorriu orgulhosa.
O pai do garotinho olhava aquela cena com a cara mais constrangedora do universo, como se já tivesse passado por algo semelhante, e não foi tão receptivo com a garota petulante, mas mesmo assim, ela não se deu por vencida, foi até o velho babão e o cumprimentou com um dos seus sorrisos mais cativantes e irônicos, claro. Ela estava se divertindo.
O menino de 30 anos a levou até o carro.
- Você tem meu telefone. Pode me ligar.
- Ah, mas que bom que eu posso. Obrigada, pode esperar.
E despediu do bebezinho com um beijão que constrangeu aquele almoço de domingo.
Entrou no carro, apagou o telefone do bebezinho, ligou o som no talo e ouviu sozinha a música que tanto queria ouvir na noite passada. Chegou a uma conclusão: música boa não é para qualquer um.
Monday, November 9, 2009
Na praça
Ao contrário do resto da cidade, lá ventava e era gostoso sentir o vento retirando os fios de cabelos que caíam sobre meu rosto. Havia muito tempo que eu não sabia o que era estar à toa no meio da tarde sentada em um banco de praça. Esta sensação boa acabou logo que a vergonha e a culpa invadiram a minha mente. Não me permiti desfrutar desse momento mágico às 3 horas da tarde. Tive medo de encontrar conhecidos e ter que me justificar. Que ideia! Que dependência do olhar dos outros.
Na praça havia somente estudantes em seus uniformes, hippies e velhinhos aposentados passeando com seus netinhos. Muitos carrinhos de bebês e crianças aprendendo a andar. Um garotinho que nem 1 ano devia ter veio cambaleante em minha direção, com um olhar sério e fixo. Olhava tão dentro dos meus olhos que era como se eu fosse um fantasma e só ele poderia realmente me enxergar. Mesmo sem dar nenhum sorriso, aquele olhar era puro, não havia julgamentos nem segundas intenções. Aquilo subitamente me encheu de emoção.
Passado o encantamento pela despretensão do menininho, veio um aperto no coração em saber que enquanto ele aprendia a andar, também desaprendia a olhar com os olhos e passava essa função para a cabeça.
Respirei fundo e deixei o mal estar passar. O pior não é ver com a cabeça, é se enxergar no espelho dos olhos dos outros.
Tuesday, October 27, 2009
Portrait in black and white
Chet Baker in Portrait in black and white.
(alguém sabe colocar mp3 pra tocar no blogspot?)
Na falta de mp3, vamos de you tube.
Parte 1 (sim, a música é enooooorme)
http://www.youtube.com/watch?v=GQAWDXbBZXo
Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=z09wX8tLYUk&feature=related
Monday, October 26, 2009
A mais do meu itunes
- Portrait in white and black. Beautiful isn’t it?
Mas é claro! Era isso mesmo. Retrato em branco e preto. Mas havia uma coisa diferente nela, algo que nunca senti quando a ouvia.
- And who’s playing?
- Chet Baker.
Fiquei até o final dela, que tem quase 16 minutos de duração. Hoje, vindo para o trabalho e ouvindo a música, cheguei à conclusão de que o único motivo pelo qual Tom Jobim e Chico compuseram essa canção foi para que Chet Baker a gravasse anos depois. Desculpe-me a todos que já a interpretaram e aos próprios Tom e Chico, mas Chet transcedeu não só a letra como também a melodia, aliás ele criou outras melodias dentro de Retrato em branco e preto. Ele consegue fazer uma reviravolta de sentimentos dentro das frases. Ouvindo, consigo sentir melancolia, desespero, solidão, revolta, e um tipo de força que cresce dentro de mim como se eu quisesse vomitar tudo que não me faz bem. É lindo demais. E todas as vezes que ouço fico tocada.
Fico pensando em como Chet Baker conseguiu despejar tudo isso dentro de uma canção. Para mim é uma das catarses mais bonitas que já ouvi.
Para quem quiser ouvir, é do disco Live in Tokyo de 1987.
Tuesday, October 20, 2009
Começando a entender o livro, visse?
- Oi, tudo bem?
- Sim, de onde é esse sotaque?
- Sou do Recife.
- Ah...
- Seu nome?
- Bárbara. O seu?
- Pedro.
Silêncio seguido de mais sorrisos e olhares. Na falta de usar a boca para falar usaram para se beijar. Bárbara sugeriu que saíssem de perto das caixas de som para tomar uma cerveja.
- Mas o que você faz aqui?
- Faço mestrado em Direito Internacional.
Ele poderia ter falado sou coveiro no cemitério local, ou qualquer outra coisa, aquele sotaque de Pernambuco fazia com que ela prestasse atenção nas palavras separadamente sem dar importância para as frases. Que coisa boa de se ouvir. Não tinha nada a ver com francês, mas para ela, apaixonada pelo idioma, era como se fosse.
Não se sabe como chegaram a uma papo cabeça despretensioso, não importa, era ótimo. Ele dizia:
- Sou marxista.
- Ah, um romântico como eu. – e ela ria
Livros, relações internacionais e aquele sotaque. Tudo perfeito.
O estabelecimento já estava fechando, então ele a convidou para terminar o papo no seu apartamento. Ela nem conseguiu fazer-se de difícil. Pra que dificultar um momento de perfeição? Eles são tão raros...
Chegaram na casa dele e para a sua surpresa ele colocou Take the A Train para tocar.
- Duke Ellington?
- É. Comprei um box de cds dele, para conhecer e por causa das capinhas, são bonitinhas, não são?
- Bonitinhas? Repete! Você não tá forçando não, né? É assim que você fala mesmo?
- Bonitinha - e ele dava gargalhadas.
A forma como ele pronunciava o "ti" a encantava: Náutico, Atlético, bonitinha, sítio...
Ouviram músicas e conversaram até amanhecer. Sobre tudo e sobre nada. Dormiram. Mas às vezes enquanto se reviravam na cama, acordavam se olhavam com cara boa e voltavam a dormir. Bárbara teve sonhos deliciosos. Era gostoso dormir encaixada naquele corpo, sentir aquele calorzinho, um cheiro diferente, carinho...
Devem ter descansado no máximo 3 horas. No dia seguinte, ou seja, no mesmo dia, acordaram. Ele, eu não sei, mas ela continuava sonhando.
E o sonho seguiu perfeito, porém os dois tinham compromisso no dia e tiveram que se separar. E se foram sem promessas. Foi um raro momento de perfeição que agora está imortalizado. Nenhum minuto a mais, nenhum a menos. Um presente do acaso.
Thursday, October 15, 2009
Cafés da manhã com Vicente
- Oi seu Vicente, Tudo bom com o senhor?
Vicente que acorda bem-humorado todos os dias, devolve o cumprimento com um largo sorriso, que faz qualquer mau-humor matinal parecer vergonhoso e caprichoso.
Chega em casa com o pão quentinho e come um pouco. Logo vai para seu escritório ler ou travar uma batalha com aquele monstro tecnológico chamado computador. Ouve passos na escada. Deve ser um dos seus filhos que acordou. Vicente senta à mesa novamente e põe-se a conversar com Filipe, que lê o jornal. Futebol e política são o assunto da pauta. Filipe sai para o trabalho.
Agora é a vez da filha mais velha, que sempre está apressada e desorientada, comendo em pé. O pai a tranquiliza e diz: calma, senta, toma café comigo.
- Você ainda não tomou?
- Não.
O sorriso desconcertante do pai vale um pequeno atraso no trabalho. A filha senta enquanto o pai na maior calma do mundo corta um pedaço de pão e passa manteiga. Conversam sobre outros temas. Falam em francês, ela conta algo do seu trabalho, mas vê que não pode demorar mais. Dá um beijo e um abraço no Monsieur Vincent e sai correndo.
A última é a Luciana, essa foi esperta, escolheu uma profissão que lhe dá mais tempo. Conversada como o pai, passa um bom tempo com ele falando desde como reduzir o valor da conta de telefone a suas próximas viagens e bolsas de estudo. Ela sai e Vicente acaba de tomar seu quarto café da manhã.
Já são quase 10 da manhã. Depois de cumprir todos os afazeres que ele escreve em uma listinha, Vicente espera os filhos chegarem um por um para mais 3 jantares. Depois diz que não sabe porque não emagrece.
Thursday, October 8, 2009
Friday, October 2, 2009
Espere
Estava lendo A Imortalidade do Milan Kundera, que ganhei da minha cunhadinha. Demorei pra pegar no tranco, confesso, mas o livro foi ficando interessante. Até que em um capítulo, uma personagem, Agnes, fala de um poema de Goethe que seu pai sempre lia para ela. O poema estava traduzido para o português, claro, mas na página seguinte estava em alemão. Eu que não falo nada de alemão (mentira, sei uns palavrões), fui ler de curiosa que sou. Foi ver a primeira frase que caí dentro de um déjà vu. Fechei os olhos e ia adivinhando frase por frase.
O poema, nada mais era do que a música que eu mais gostava de cantar quando fazia aulas de canto lírico, há muito tempo. Gostava da música porque achava que ela deixava a minha voz potente. Na época nunca soube o significado daquelas palavras, com exceção de uma: warte, que quer dizer espere.
É um poema sobre a morte, sobre poder descansar. Sei que foi tudo uma grande coincidência, mas gosto de procurar sentidos ocultos nestes meros acasos. Ando cansada, infeliz, e querendo que tudo se resolva logo, hoje, agora. Mas as coisas se resolvem e passam a fazer sentido com o tempo, quando a gente menos espera – reza o clichê mor.
É verdade, eu nem procurava a tradução dessa música e um dia, sem mais nem menos, ela me apareceu dizendo assim: warte.
Tuesday, September 22, 2009
Friday, September 18, 2009
Madri e os 30

A Internet é mesmo uma caixinha de surpresas. Eu tenho um flickr onde coloco as minhas fotos de amigos, viagens, coisas que eu gosto e que não tem NENHUMA pretensão artística. É apenas um lugar para dividir com meus amigos os momentos, que de alguma forma, marcaram a minha vida.
Outro dia recebi um email de um tal de Schmap, um site de lugares turísticos do mundo. Eles viram uma foto minha da Plaza Mayor de Madri e perguntaram eu podia inscrevê-la num concurso, a mais votada representaria a Plaza no site. Hoje o Schmap me escreveu novamente: a foto foi escolhida.
E a foto não tem nada de mais no sentido fotográfico, mas tem um sentido emocional para mim gigantesco. Ela foi tirada quando eu fiz 30 anos, sozinha em uma cidade que “me pegou de jeito”. Talvez de todas as cidades que eu já estive, Madri foi a que mais me marcou, não por sua beleza, seus museus e o Parque del Retiro, mas por ter encontrado uma pessoa que não via há tempos: eu mesma.
Tuesday, September 1, 2009
Wednesday, August 26, 2009
O buraco que ficou
- Toma, esse é o meu preferido.
- Não vai ter dedicatória?
- Ah, é claro, espera aí que eu vou fazer.
Enquanto ele escrevia, ela andava pela sua casa olhando tudo que não veria jamais. O sofá-cama aberto em frente a televisão, a estante com os mesmos DVDs, o baleiro, o desodorante e a foto da outra mulher que o abraçava.
- Toma, espero que goste. Nicole não via nenhuma verdade nos seus olhos, o que ela via era um alívio que dizia baixinho: vá logo. E foi-se.
No caminho para casa sentia-se aliviada também. Aquilo tudo era ilusão. Faltava muito em Leonardo. Nicole tinha certeza.
Leu a dedicatória do livro mais uma vez e a achou tão genérica... “te dou este livro porque é o meu preferido...”, palavras pobres em uma letra bonita. Nicole preferiu virar outras páginas. O predileto de Leonardo ficou na estante acumulando poeira. Ela tinha horror e medo de abri-lo e encontrar aquela dedicatória sem sal.
Quando ela deixou a casa dele se sentiu tão aliviada, onde se encontrava essa sensação agora? Pensava nele descuidadamente. Parece que o tempo desbotou sua razão.
Numa madrugada de insônia, levantou-se da cama e ficou parada de frente para a estante de livros encarando o “preferido”. De impulso, retirou o livro com violência e foi direto para a dedicatória. Nada tinha mudado. Aquelas palavras continuavam ridículas. Pôs-se a lê-lo.
Primeiro capítulo, nada. Segundo, nada, terceiro, quarto, quinto, sexto... nada. Não é que Nicole procurava respostas no livro? Foi se envolvendo, gostando do enredo e algumas respostas começaram a aparecer. Encontrou até seu personagem. Que decepção! Nicole era um buraquinho. Sim, esse era seu papel no livro. Ficou chateada com a comparação que ela mesma fez. Será que ele pensava assim? Pode ser, mas nesse caso a história é dele. E Nicole será um buraquinho que não foi escavado suficientemente.
Tuesday, August 25, 2009
Tá difícil...
- Será que a mamãe vai precisar da sombrinha dela?
- Não, essa é minha.
- Eu falo da de bolinhas.
- Pois é, essa é a minha.
- De bolinhas, papai?
- Ué, o vendedor falou que era de homem e que tava usando muito – disse meu pai com a maior cara de inocência.
Não me contive, e a gargalhada explodiu na cara dele.
- Pode levar, Carina. É sua, te dou de presente.
Ficamos rindo por uns 5 minutos.
Acho que é por uns motivos desses que eu não consigo deixar a casa dos meus pais.
Monday, August 24, 2009
Mentiras cor-de-rosa
O filme era 8 mulheres do François Ozon. Achei engraçado ser um musical, o Ozon sempre faz filmes tão sérios...
Músicas deliciosas e irônicas embalavam aquela história de enredo tragicômico. Fin. Desliguei a TV e fui formir. Lá pelas 5 acordei incomodada, algo não me deixava relaxar. Não precisei pensar muito para chegar no que me cortava o sono.
Foram as verdades. Quando se diz que verdade dói não estão mentindo. E como dói. E o filme era uma enxurrada de verdades. É possível construir uma harmonia com pequenas e grandes mentiras. "Eu te perdoo". "Desculpe, meu despertador quebrou". "O pneu do meu carro furou".
Para que mentir? Esconder erros e imperfeições? Porquê? Medo de magoar? Medo de ser odiado? Odiado por quem? Que dependência é essa do amor e da aprovação dos outros? No filme tem uma canção que traduz bem isso: De que adianta ser livre se se vive sem amor? A quoi sert de vivre libre, interpretada maravilhosamente pela Fanny Ardant, em que ela simula um strip tease, que pode ser visto como uma metáfora para o "desnudar-se". Nesse momento ela se expõe e canta a sua verdade.
É bonito, mas muito triste. Quem vive demais a verdade tem a tendência de ficar só, porque é muito difícil aceitá-la e compreendê-la. Tem até uma frase na música Misread do Kings of Convenience que diz: The loneliest people were the ones who always spoke the truth.
No filme, os personagens escondem "seus erros" com mentiras, porque errar é inadmissível. Mesmo para humanos. Estranhamente, sabendo de nossas limitações, continuamos cobrando essa perfeição das pessoas a nossa volta. Não toleramos uma mentira, mas não damos conta da verdade.
Caramba, tô escrevendo isso há 3 semanas e não consigo terminar, e para piorar a dobradinha verdade-mentira tem me perseguido: é no Paulinho da Viola, é na TV, nos livros... estou me sentindo encurralada. Acho que fui meio prematura em jogar pedras nos mentirosos, porque não existe a verdade absoluta. Cada um tem a sua. E às vezes a mentira é apenas um carinho de quem não queria magoar tanto.
