Sunday, February 28, 2010
"A razão porque mando um sorriso"
Sua lembrança chega como um vento frio no meu pescoço, me fazendo arrepiar até a ponta dos pés. Algo que que me leva a um sorriso de olhos e lábios fechados.
Penso em você sem tristeza. Já me conformei. Existem outras distâncias entre nós além da geográfica, que não sei se conseguiríamos encurtar. Para que tentar? Com você foi sempre imortalidade, final dos filmes de Honoré. Fim no susto e ausência de despedida.
Tuesday, February 2, 2010
O hino do fim
Nos ouvidos, contra a lei de trânsito, fones. Não tinha som no carro e tão pouco compraria.
Não me lembro bem quais músicas estavam tocando. Só de uma, que começava com um violãozinho e um teclado, uma estética bem mpb anos 80. Não fosse sua melodia linda, até poderia tê-la chamado de cafona. Já tinha ouvido aquela canção dezenas de vezes, mas nunca nem parei pra pensar no que o cantor falava.
Naquela noite, no meio do trânsito caótico e completando duas semanas de rompimento, pelo qual não havia derramado uma lágrima sequer, comecei a entender tudo. Tão automático como uma tradução simultânea. Foi aí que chorei. Ia entendendo e chorando.
Não. "Não mereço um beijo partido". E o verso libertador: "eu serei pra você o que não me importa saber". Desde então ouvi várias versões de Beijo partido, em português, inglês, instrumentais. Versões mais bonitas que a do compositor, como a da Nana Caymmi. Outras versões de términos nunca bonitas.
Beijo partido - Toninho Horta
Vale escutar com a Nana e com o Milton
Quem é?
Ontem e hoje não sou eu. É você refletindo a minha imagem naquele espelho que comprei no show de horrores e guardo em casa para os dias mais sombrios. Achei que você nunca fosse encontrar, ele estava bem escondido. Mas sempre chega o dia que eu tiro do esconderijo e o coloco na porta da minha casa: olha o meu espelho, ele me deforma! Parece loucura, mas essa sim sou eu.
Silêncio para escutar
Stella by starlight
Thursday, January 7, 2010
Silogismos
Thursday, December 10, 2009
Segredo
Você não tem nem ideia
do que provoca em mim
não deixo você saber
pra não te dar esse poder.
Dias chuvosos
O sol insiste em penetrar as nuvens chumbo
deixa chover, deixa molhar.
não é hora de azul
toda cor tem sua vez.
Thursday, December 3, 2009
Casa nova
Nada como ser bem relacionanda nessa vida, né?
Rafael Maia, um designer fodástico que eu amo de paixão, ouviu meus lamentos e deu uma repaginada na minha casa.
Estou apaixonada com a décor.
Rafa meu amor,
Amei. Amei. Amei.
Obrigada!
E quem quiser ver mais do trabalho desse designer que acaba de voltar da espanha, acesse (aproveitem que agora ele tá no Brasil):
Wednesday, December 2, 2009
Só os cães são felizes
Outro dia recebi um email daqueles bem cafonas, com um texto tenebroso falando sobre o amor pelos cães. Claro que fiz piada e pus pra fora todo o meu lado insensível, que sempre aparece quando o assunto é baranguice.
Hoje, no auge da minha TPM passei em frentre a uma pet shop e vi um filhotinho de pincher preso numa daquelas gaiolas/jaulas em que colocam os pobrezinhos. Fiquei hipnotizada pelos olhões tristes do cão e entrei na loja. Na maldita jaula havia uma placa " não toque os animais". Que raiva que me deu. Dava pra sentir que o bicho precisava de carinho.
Como eu não podia tocá-lo fiquei como uma boba fazendo gestos, caras e bocas e chamando-o de meu amor, fofura, lindeza de modeuso, até mandar beijo pro animalzinho eu mandei. E ele todo bonitinho balançando o rabo pra mim.
Quando caí em mim, todos os funcionários da loja estavam me observando. Ai que vergonha! Despedi do cão (tchau coisa mais "gotosa" da mamãe) e logo descobri quem é que está precisando de carinho.
Wednesday, November 25, 2009
Atraso
Aquele homem visto de trás com a flor daria uma bela foto.
Uma voz metálica de mulher saiu do interfone:
- Pois não?
- Eh... Lúcia?
- A Lúcia não mora mais aqui.- respondeu a mulher com segurança.
- Como não? Ela nem me avisou!
- Sinto muito, mas não tem nenhuma Lúcia...
- Espera um pouco. Não estou acreditando, você pode aparecer aqui fora só um pouco?
- Olha, eu estou ocupada...
- Só um minuto, queria deixar algo caso um dia ela apareça.
- Ok, mas só um minuto.
A mulher foi calmamente até o portão, tinha uma feição blasé.
- Lúcia?! É você! Porque mentiu pra mim?
- Não menti. Não sou Lúcia. Pra você, sou Luzia. Prazer.
Monday, November 16, 2009
Wednesday, November 11, 2009
Música boa
- Olha o gatinho ali, e é HT, viu menina?
Aproveitou da sua borrachera para dar um oi.
- Oi!
- Oi!
Ela saiu fora, ele a puxou pelo braço:
-Volta aqui.
E muitos blá blá blás depois, ficaram.
Bêbada, ela ficava atirada, e ele encantador, ou talvez fosse só uma ilusão de álccol.
- Vamos lá pra casa?
- Onde você mora?
- Aqui perto, num condomínio em Nova Lima.
- Ah, será? Você tem computador lá? Só vou se você deixar eu te mostrar uma música do meu mp3 player.
- Tenho um som lá. Serve?
- Mas toca mp3?
- É... não sei, a gente pode tentar.
- Ok.
- Vamos no meu carro?
- Não, prefiro ir no meu.
E ela foi seguindo o rapaz.
Chegaram na casa, que mais parecia uma casa de campo com quadras, piscina e nenhum móvel, só uma cama box de casal.
- Você mora aqui?
- Não, na verdade, essa é a casa de campo dos meus pais.
- Hum...
O som era daqueles microsystems velhos, que nunca teria uma entrada USB.
Na falta de música, foram para o único móvel da casa e lá permaneceram a noite toda.
De manhã acordaram e conversavam coisas banais e engraçadas. Até que ouviram barulhos pela casa:
- Parece que não estamos sozinhos.
- Putz, são os meus pais!
- Mas eles são tranquilos?
- Não. Nenhum pouco.
- Ai que vergonha! Vou pular a janela.
- Se quiser eu trago seu carro pra cá, você faria isso por mim?
- Acho que sim, essa situação seria embaraçosa, né?
- Sim, muito.
Beijou-a novamente e perguntou:
- Você tem namorado?
- Não, por quê? Você tem namorada?
- Tenho.
Ela tentou fingir a cara de surpresa, mas não se sabe se conseguiu.
- Ah é? E namoram há muito tempo?
- 3 meses.
- E cadê ela?
- Deixei ela em casa e saí. Muito chata. Muito carente.
- Hum.. Aqui, já tá ficando tarde, melhor eu ir embora.
- Ok. Vou trazer seu carro pra perto da janela, tá?
- Ah não, pode deixar. Vou pela porta da frente mesmo.
- Tem certeza? E os meus pais?
- Tem problema não, querido. Vou adorar conhecê-los.
Ela vestiu a roupa da noite anterior, arrumou a maquiagem e saiu se sentindo poderosa.
Os pais do garotinho estavam cozinhando o almoço.
Ela foi até a mãe, se apresentou, deu um beijo e um abraço.
- Almoça com a gente hoje - convidou a mãe.
- Não mãe, ela tem compromisso.
- É, hoje eu tenho compromisso, mas fica para próxima. A propósito, o seu jardim está muito bem cuidado.
- Obrigada - a mãe sorriu orgulhosa.
O pai do garotinho olhava aquela cena com a cara mais constrangedora do universo, como se já tivesse passado por algo semelhante, e não foi tão receptivo com a garota petulante, mas mesmo assim, ela não se deu por vencida, foi até o velho babão e o cumprimentou com um dos seus sorrisos mais cativantes e irônicos, claro. Ela estava se divertindo.
O menino de 30 anos a levou até o carro.
- Você tem meu telefone. Pode me ligar.
- Ah, mas que bom que eu posso. Obrigada, pode esperar.
E despediu do bebezinho com um beijão que constrangeu aquele almoço de domingo.
Entrou no carro, apagou o telefone do bebezinho, ligou o som no talo e ouviu sozinha a música que tanto queria ouvir na noite passada. Chegou a uma conclusão: música boa não é para qualquer um.
Monday, November 9, 2009
Na praça
Ao contrário do resto da cidade, lá ventava e era gostoso sentir o vento retirando os fios de cabelos que caíam sobre meu rosto. Havia muito tempo que eu não sabia o que era estar à toa no meio da tarde sentada em um banco de praça. Esta sensação boa acabou logo que a vergonha e a culpa invadiram a minha mente. Não me permiti desfrutar desse momento mágico às 3 horas da tarde. Tive medo de encontrar conhecidos e ter que me justificar. Que ideia! Que dependência do olhar dos outros.
Na praça havia somente estudantes em seus uniformes, hippies e velhinhos aposentados passeando com seus netinhos. Muitos carrinhos de bebês e crianças aprendendo a andar. Um garotinho que nem 1 ano devia ter veio cambaleante em minha direção, com um olhar sério e fixo. Olhava tão dentro dos meus olhos que era como se eu fosse um fantasma e só ele poderia realmente me enxergar. Mesmo sem dar nenhum sorriso, aquele olhar era puro, não havia julgamentos nem segundas intenções. Aquilo subitamente me encheu de emoção.
Passado o encantamento pela despretensão do menininho, veio um aperto no coração em saber que enquanto ele aprendia a andar, também desaprendia a olhar com os olhos e passava essa função para a cabeça.
Respirei fundo e deixei o mal estar passar. O pior não é ver com a cabeça, é se enxergar no espelho dos olhos dos outros.
Tuesday, October 27, 2009
Portrait in black and white
Chet Baker in Portrait in black and white.
(alguém sabe colocar mp3 pra tocar no blogspot?)
Na falta de mp3, vamos de you tube.
Parte 1 (sim, a música é enooooorme)
http://www.youtube.com/watch?v=GQAWDXbBZXo
Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=z09wX8tLYUk&feature=related
Monday, October 26, 2009
A mais do meu itunes
- Portrait in white and black. Beautiful isn’t it?
Mas é claro! Era isso mesmo. Retrato em branco e preto. Mas havia uma coisa diferente nela, algo que nunca senti quando a ouvia.
- And who’s playing?
- Chet Baker.
Fiquei até o final dela, que tem quase 16 minutos de duração. Hoje, vindo para o trabalho e ouvindo a música, cheguei à conclusão de que o único motivo pelo qual Tom Jobim e Chico compuseram essa canção foi para que Chet Baker a gravasse anos depois. Desculpe-me a todos que já a interpretaram e aos próprios Tom e Chico, mas Chet transcedeu não só a letra como também a melodia, aliás ele criou outras melodias dentro de Retrato em branco e preto. Ele consegue fazer uma reviravolta de sentimentos dentro das frases. Ouvindo, consigo sentir melancolia, desespero, solidão, revolta, e um tipo de força que cresce dentro de mim como se eu quisesse vomitar tudo que não me faz bem. É lindo demais. E todas as vezes que ouço fico tocada.
Fico pensando em como Chet Baker conseguiu despejar tudo isso dentro de uma canção. Para mim é uma das catarses mais bonitas que já ouvi.
Para quem quiser ouvir, é do disco Live in Tokyo de 1987.
Tuesday, October 20, 2009
Começando a entender o livro, visse?
- Oi, tudo bem?
- Sim, de onde é esse sotaque?
- Sou do Recife.
- Ah...
- Seu nome?
- Bárbara. O seu?
- Pedro.
Silêncio seguido de mais sorrisos e olhares. Na falta de usar a boca para falar usaram para se beijar. Bárbara sugeriu que saíssem de perto das caixas de som para tomar uma cerveja.
- Mas o que você faz aqui?
- Faço mestrado em Direito Internacional.
Ele poderia ter falado sou coveiro no cemitério local, ou qualquer outra coisa, aquele sotaque de Pernambuco fazia com que ela prestasse atenção nas palavras separadamente sem dar importância para as frases. Que coisa boa de se ouvir. Não tinha nada a ver com francês, mas para ela, apaixonada pelo idioma, era como se fosse.
Não se sabe como chegaram a uma papo cabeça despretensioso, não importa, era ótimo. Ele dizia:
- Sou marxista.
- Ah, um romântico como eu. – e ela ria
Livros, relações internacionais e aquele sotaque. Tudo perfeito.
O estabelecimento já estava fechando, então ele a convidou para terminar o papo no seu apartamento. Ela nem conseguiu fazer-se de difícil. Pra que dificultar um momento de perfeição? Eles são tão raros...
Chegaram na casa dele e para a sua surpresa ele colocou Take the A Train para tocar.
- Duke Ellington?
- É. Comprei um box de cds dele, para conhecer e por causa das capinhas, são bonitinhas, não são?
- Bonitinhas? Repete! Você não tá forçando não, né? É assim que você fala mesmo?
- Bonitinha - e ele dava gargalhadas.
A forma como ele pronunciava o "ti" a encantava: Náutico, Atlético, bonitinha, sítio...
Ouviram músicas e conversaram até amanhecer. Sobre tudo e sobre nada. Dormiram. Mas às vezes enquanto se reviravam na cama, acordavam se olhavam com cara boa e voltavam a dormir. Bárbara teve sonhos deliciosos. Era gostoso dormir encaixada naquele corpo, sentir aquele calorzinho, um cheiro diferente, carinho...
Devem ter descansado no máximo 3 horas. No dia seguinte, ou seja, no mesmo dia, acordaram. Ele, eu não sei, mas ela continuava sonhando.
E o sonho seguiu perfeito, porém os dois tinham compromisso no dia e tiveram que se separar. E se foram sem promessas. Foi um raro momento de perfeição que agora está imortalizado. Nenhum minuto a mais, nenhum a menos. Um presente do acaso.
Thursday, October 15, 2009
Cafés da manhã com Vicente
- Oi seu Vicente, Tudo bom com o senhor?
Vicente que acorda bem-humorado todos os dias, devolve o cumprimento com um largo sorriso, que faz qualquer mau-humor matinal parecer vergonhoso e caprichoso.
Chega em casa com o pão quentinho e come um pouco. Logo vai para seu escritório ler ou travar uma batalha com aquele monstro tecnológico chamado computador. Ouve passos na escada. Deve ser um dos seus filhos que acordou. Vicente senta à mesa novamente e põe-se a conversar com Filipe, que lê o jornal. Futebol e política são o assunto da pauta. Filipe sai para o trabalho.
Agora é a vez da filha mais velha, que sempre está apressada e desorientada, comendo em pé. O pai a tranquiliza e diz: calma, senta, toma café comigo.
- Você ainda não tomou?
- Não.
O sorriso desconcertante do pai vale um pequeno atraso no trabalho. A filha senta enquanto o pai na maior calma do mundo corta um pedaço de pão e passa manteiga. Conversam sobre outros temas. Falam em francês, ela conta algo do seu trabalho, mas vê que não pode demorar mais. Dá um beijo e um abraço no Monsieur Vincent e sai correndo.
A última é a Luciana, essa foi esperta, escolheu uma profissão que lhe dá mais tempo. Conversada como o pai, passa um bom tempo com ele falando desde como reduzir o valor da conta de telefone a suas próximas viagens e bolsas de estudo. Ela sai e Vicente acaba de tomar seu quarto café da manhã.
Já são quase 10 da manhã. Depois de cumprir todos os afazeres que ele escreve em uma listinha, Vicente espera os filhos chegarem um por um para mais 3 jantares. Depois diz que não sabe porque não emagrece.
Thursday, October 8, 2009
Friday, October 2, 2009
Espere
Estava lendo A Imortalidade do Milan Kundera, que ganhei da minha cunhadinha. Demorei pra pegar no tranco, confesso, mas o livro foi ficando interessante. Até que em um capítulo, uma personagem, Agnes, fala de um poema de Goethe que seu pai sempre lia para ela. O poema estava traduzido para o português, claro, mas na página seguinte estava em alemão. Eu que não falo nada de alemão (mentira, sei uns palavrões), fui ler de curiosa que sou. Foi ver a primeira frase que caí dentro de um déjà vu. Fechei os olhos e ia adivinhando frase por frase.
O poema, nada mais era do que a música que eu mais gostava de cantar quando fazia aulas de canto lírico, há muito tempo. Gostava da música porque achava que ela deixava a minha voz potente. Na época nunca soube o significado daquelas palavras, com exceção de uma: warte, que quer dizer espere.
É um poema sobre a morte, sobre poder descansar. Sei que foi tudo uma grande coincidência, mas gosto de procurar sentidos ocultos nestes meros acasos. Ando cansada, infeliz, e querendo que tudo se resolva logo, hoje, agora. Mas as coisas se resolvem e passam a fazer sentido com o tempo, quando a gente menos espera – reza o clichê mor.
É verdade, eu nem procurava a tradução dessa música e um dia, sem mais nem menos, ela me apareceu dizendo assim: warte.
Tuesday, September 22, 2009
Friday, September 18, 2009
Madri e os 30

A Internet é mesmo uma caixinha de surpresas. Eu tenho um flickr onde coloco as minhas fotos de amigos, viagens, coisas que eu gosto e que não tem NENHUMA pretensão artística. É apenas um lugar para dividir com meus amigos os momentos, que de alguma forma, marcaram a minha vida.
Outro dia recebi um email de um tal de Schmap, um site de lugares turísticos do mundo. Eles viram uma foto minha da Plaza Mayor de Madri e perguntaram eu podia inscrevê-la num concurso, a mais votada representaria a Plaza no site. Hoje o Schmap me escreveu novamente: a foto foi escolhida.
E a foto não tem nada de mais no sentido fotográfico, mas tem um sentido emocional para mim gigantesco. Ela foi tirada quando eu fiz 30 anos, sozinha em uma cidade que “me pegou de jeito”. Talvez de todas as cidades que eu já estive, Madri foi a que mais me marcou, não por sua beleza, seus museus e o Parque del Retiro, mas por ter encontrado uma pessoa que não via há tempos: eu mesma.
Tuesday, September 1, 2009
Wednesday, August 26, 2009
O buraco que ficou
- Toma, esse é o meu preferido.
- Não vai ter dedicatória?
- Ah, é claro, espera aí que eu vou fazer.
Enquanto ele escrevia, ela andava pela sua casa olhando tudo que não veria jamais. O sofá-cama aberto em frente a televisão, a estante com os mesmos DVDs, o baleiro, o desodorante e a foto da outra mulher que o abraçava.
- Toma, espero que goste. Nicole não via nenhuma verdade nos seus olhos, o que ela via era um alívio que dizia baixinho: vá logo. E foi-se.
No caminho para casa sentia-se aliviada também. Aquilo tudo era ilusão. Faltava muito em Leonardo. Nicole tinha certeza.
Leu a dedicatória do livro mais uma vez e a achou tão genérica... “te dou este livro porque é o meu preferido...”, palavras pobres em uma letra bonita. Nicole preferiu virar outras páginas. O predileto de Leonardo ficou na estante acumulando poeira. Ela tinha horror e medo de abri-lo e encontrar aquela dedicatória sem sal.
Quando ela deixou a casa dele se sentiu tão aliviada, onde se encontrava essa sensação agora? Pensava nele descuidadamente. Parece que o tempo desbotou sua razão.
Numa madrugada de insônia, levantou-se da cama e ficou parada de frente para a estante de livros encarando o “preferido”. De impulso, retirou o livro com violência e foi direto para a dedicatória. Nada tinha mudado. Aquelas palavras continuavam ridículas. Pôs-se a lê-lo.
Primeiro capítulo, nada. Segundo, nada, terceiro, quarto, quinto, sexto... nada. Não é que Nicole procurava respostas no livro? Foi se envolvendo, gostando do enredo e algumas respostas começaram a aparecer. Encontrou até seu personagem. Que decepção! Nicole era um buraquinho. Sim, esse era seu papel no livro. Ficou chateada com a comparação que ela mesma fez. Será que ele pensava assim? Pode ser, mas nesse caso a história é dele. E Nicole será um buraquinho que não foi escavado suficientemente.
Tuesday, August 25, 2009
Tá difícil...
- Será que a mamãe vai precisar da sombrinha dela?
- Não, essa é minha.
- Eu falo da de bolinhas.
- Pois é, essa é a minha.
- De bolinhas, papai?
- Ué, o vendedor falou que era de homem e que tava usando muito – disse meu pai com a maior cara de inocência.
Não me contive, e a gargalhada explodiu na cara dele.
- Pode levar, Carina. É sua, te dou de presente.
Ficamos rindo por uns 5 minutos.
Acho que é por uns motivos desses que eu não consigo deixar a casa dos meus pais.
Monday, August 24, 2009
Mentiras cor-de-rosa
O filme era 8 mulheres do François Ozon. Achei engraçado ser um musical, o Ozon sempre faz filmes tão sérios...
Músicas deliciosas e irônicas embalavam aquela história de enredo tragicômico. Fin. Desliguei a TV e fui formir. Lá pelas 5 acordei incomodada, algo não me deixava relaxar. Não precisei pensar muito para chegar no que me cortava o sono.
Foram as verdades. Quando se diz que verdade dói não estão mentindo. E como dói. E o filme era uma enxurrada de verdades. É possível construir uma harmonia com pequenas e grandes mentiras. "Eu te perdoo". "Desculpe, meu despertador quebrou". "O pneu do meu carro furou".
Para que mentir? Esconder erros e imperfeições? Porquê? Medo de magoar? Medo de ser odiado? Odiado por quem? Que dependência é essa do amor e da aprovação dos outros? No filme tem uma canção que traduz bem isso: De que adianta ser livre se se vive sem amor? A quoi sert de vivre libre, interpretada maravilhosamente pela Fanny Ardant, em que ela simula um strip tease, que pode ser visto como uma metáfora para o "desnudar-se". Nesse momento ela se expõe e canta a sua verdade.
É bonito, mas muito triste. Quem vive demais a verdade tem a tendência de ficar só, porque é muito difícil aceitá-la e compreendê-la. Tem até uma frase na música Misread do Kings of Convenience que diz: The loneliest people were the ones who always spoke the truth.
No filme, os personagens escondem "seus erros" com mentiras, porque errar é inadmissível. Mesmo para humanos. Estranhamente, sabendo de nossas limitações, continuamos cobrando essa perfeição das pessoas a nossa volta. Não toleramos uma mentira, mas não damos conta da verdade.
Caramba, tô escrevendo isso há 3 semanas e não consigo terminar, e para piorar a dobradinha verdade-mentira tem me perseguido: é no Paulinho da Viola, é na TV, nos livros... estou me sentindo encurralada. Acho que fui meio prematura em jogar pedras nos mentirosos, porque não existe a verdade absoluta. Cada um tem a sua. E às vezes a mentira é apenas um carinho de quem não queria magoar tanto.
Monday, August 3, 2009
Aquecimento global
Friday, July 24, 2009
O arquiteto de exteriores
Naquele espaço vazio pode colocar cinquenta centímetros da coleção de Bach pela filarmônica de Berlim, acho que vai combinar com a estante dos sambistas. Gosto dos contrastes.
No quarto, cama grande. Vou precisar. Por preguiça e por luxúria.
A sala dos fundos pode ficar vazia, ninguém entra lá mesmo".
Pequeno demais
For no one
Eu só quero saber de você
Vai-se o amor
Fica a canção
Cried for no one
Um dia a verdade chega
Absoluta
Sem os relativismos complacentes
E a gente ri
Um riso irônico
Triste por não ser alegre
Falso como o que se passou
Engana-se alguém?
Talvez os honestos
Os falsos se protegem atrás de sombras
Que deformam a realidade
Mas basta faltar o sol que morrem
E ninguém vai ao enterro
Morrem sozinhas
Sem ninguém para chorar
Mas não rio
Apenas ignoro
Quem? Quando?
Não lembro.
Tão pequeno que eu não senti.
Tuesday, June 30, 2009
Debaixo do tapete
O chão estava cheio de roupas, cintos, meias – como pude ser tão descuidada e ter deixado acumular. A aparência do meu quarto mudou, ficou muito mais habitável.
Banheiro, cozinha, tudo brilhando. Só faltava varrer. Odeio varrer, porque sempre sobra um pouquinho que não cabe na pá. Ou eu pegava um pano molhado para tirar o pó final ou simplesmente empurrava para debaixo do tapete. Como eu já estava cansada de toda arrumação, segui a lei do menor esforço.
Ficou linda a minha casa, nem conseguia mais imaginá-la suja. Dava até gosto de ficar em casa sentindo orgulho do meu trabalho. Dias depois deitei em cima do tapete para ver TV e comecei a espirrar, o pó continuava lá, era tão pouco, mas me fez tão mal. Levantei com raiva e passei o pano molhado no chão.
Continuei espirrando por algum tempo, meu olho até encheu de água, mas já passou. Tá passando.
Sunday, June 28, 2009
Sem cerimônias em desenho
http://www.deniseschwenck.blogspot.com/


Friday, June 26, 2009
Dans Paris
Foi a um jantar preparado por seus novos amigos. Muito vinho, comida japonesa. Os sabores antigos acionavam uma das suas melhores memórias, o seu intercâmbio. Depois música, muito Paolo Conte, cenas de filme, François Ozon. Tudo aquilo a deixava a beira de um ataque de felicidade.
Quando todos iam para casa ela pensou: não posso ir dormir agora, tenho que aproveitar até a última gota dessa alegria.
Seu amigo a deixou na frente de uma boite da cidade, o Club Social. Ela olhou para o segurança, deixou transparecer sua confiança e entrou. Não era a roupa que escolheria para dançar, nem o sapato, nem o cabelo.
Ali ela tinha outro nome, Valentina. Valente, mas a ideia de estar sozinha em um lugar onde não conhecia ninguém a assustava um pouco. Pensou no bar, lá além de tomar um drink, poderia conversar com o barman, nos filmes isso sempre dava certo.
Analisou o menu. Tudo muito caro para o seu orçamento, a bebida mais barata que conseguiu era 5 euros – um shot de vodka. Virou o shot e encostou o bar, inebriada pelas luzes e a boa música que saía das pick ups do dj. Não se passaram nem 2 minutos e um rapaz se aproximou em francês: posso te convidar para um drink? Sua visão escaneou o rapaz de cima embaixo. Era atraente, cabelos castanhos encaracolados, pele branca cheia de sardinhas. Valentina sempre gostou de sardas, pintas e afins. Ela aceitou a vodka com energético e puseram-se a conversar.
Primeiro assunto: de onde você é? Espanha? Itália? Alemanha? Estados Unidos? Austrália? Índia? Portugal? E dá-lhe geografia, e dá-lhe nenhum acerto.
Rindo ela disse Brasil. A palavra Brasil sempre causou um estranho efeito nos homens estrangeiros, blame it on Rio.
O papo conntinou, o que você faz? O que faz aqui? Quantos dias? Cinema. Música. Filosofia de boite. E danças, e risadas, mais vodka com energético, e fotos e vídeos, e conversas com os amigos do rapaz, e amizades de uma noite só. E beijo. E mais beijo e mais e mais e mais e tesão.
Frederique propôs a Valentina sair logo dali para o seu apartamento. Ela nem pensou duas vezes. Oui, bien sûre.
Saíram os dois loucos pela madrugada parisiense, enconstando nos muros, beijando-se com violência, derrubando motos, e chegaram ao apartamento.
Frederique morava em um grande apartamento que dividia com mais duas amigas. No seu quarto havia vários livros de filosofia, anotações espalhadas, um mapa mundi e um piano. A cama era confortável, ela já foi deitando e ele seguiu atrás, beijaram-se e terminaram o que haviam começado. Foi mais ou menos. Para ela valeu muito mais a aventura.
Depois de tudo Frederique contou que tinha uma namorada na Turquia e que se arrependeu do que tinha acontecido. Valentina não deu a mínima para o desolado arrependimento dele e mais uma vez devorou le garçon, que logo esqueceu sua turca e caiu em um sono pesado. Exausta ela pensou em dormir, a cama estava convidativa e fazia frio. Olhou-o, ele babava no travesseiro completamente apagado.
Não conseguiu pensar nem uma vez, vestiu sua roupa e nem se despediu. Achou a saída do apartamento e saiu pela manhã gélida de Paris. Todas as ruas e edifícios pareciam iguais. Como acharia a casa onde estava hospedada? Seguiu seu instinto que estava falando alto naquele dia, 10 minutos depois encontrou a rua. Subiu e dormiu.
No dia seguinte já não era mais a Valentina, era ela mesmo. Tinha adorado as aventuras da outra na noite anterior.
Valentina preferiu ficar em Paris, mas soube-se que às vezes ela vem ao Brasil de visita.
Monday, June 22, 2009
Sem cerimônias
Ele a mostrou um livro de gravuras que havia comprado, ela via as imagens fingindo um certo interesse, não queria perder seu tempo, queria ir pra cama dele que imaginava desarrumada com o lençol e o edredom enrolados. A cama desarrumada dava uma sensação de conforto. Lembrou-se de quando era pequena e a empregava faltava, encontrava sua cama toda revirada como havia deixado pela manhã, e se jogava nos lençóis, sentia a textura do algodão nas suas pernas, era um pequeno momento de felicidade.
Olhou para ele com cara de menina pidona, na mesma hora ele entendeu e fechou o livro. Pegou sua mão e a levou para o quarto.
Sentaram-se na cama e ele começou a despi-la, peça por peça, parou no sutiã, era um modelo novo, cruzado nas costas que ele ainda não conhecia, depois de analisá-lo o tirou e só ela poderia dizer como o rosto dele se iluminou ao ver seus seios que não eram grandes nem pequenos, brancos com a auréola rosada, que se destacavam do resto do seu corpo moreno de sol. Pegou-os com vontade e beijou-os. Ela se estremeceu, ver aquele prazer nos olhos dele a deixava cada vez mais excitada. Tirou a roupa dele sem o mesmo cuidado, ela precisava senti-lo, encostar cada parte do seu corpo no dele.
Aquela pele, o cheiro, tudo a deixava cada vez mais ébria. Agora ela era ela, senhora de si, sem fingimentos, sem interesses. Gozou mais rápido do que costume, já não conseguia segurar mais as fantasias que teve pensando nele por toda uma semana. Ele tão pouco conseguiu segurar.
Foi intenso. Foi explosivo. Foi a última vez.
Olharam-se e beijaram-se, ficaram grudados um ao outro pelo suor dos seus corpos. Ela não queria desgrudar, desejava que esse momento durasse pelo menos uma noite. Impossível, estavam em seus horários de almoço. Em pouco tempo teriam que voltar para o trabalho.
Ele foi ao banheiro e quando voltou a encontrou nua, sentada na beirada da cama, cantarolando uma canção que falava de um amor unilateral. Ele a olhou e fez um carinho tão terno que a emocionou, ressabiada perguntou: porque esse carinho?
Ele: saudade de você e da sua cantoria.
Apesar de tudo, ela sabia que não era possível ficarem juntos, não só porque ele não queria, mas porque ela descobriu que ele não fora feito para ela. Muito fechado, e só se abria durante o sexo. Ela tentava se abrir e ele não permitia, não queria saber. O sexo já estava de bom tamanho. Ela que gostava dos detalhes, da poesia, das complicações do ser-humano, das descobertas, não aguentou. Despediu-se ali mesmo, silenciosamente, mas ele escutou. Seus olhos de libanesa falavam mais que sua voz doce e meio rouca.
Saiu com os olhos molhados mas com um sorriso no canto dos lábios. Nada a deixava mais feliz do que uma decisão.
Tuesday, June 16, 2009
Andar sem sair do lugar
Um dia interditaram seu caminho, ficou perdido. Sentou-se no chão desesperado. Não conseguia ir para direita nem para a esquerda, tentou descer para debaixo dos seus pés, mas não foi possível. Depois de tanto tempo em pé na frente de casa descobriu um novo caminho, e mais outro, e mais outro e um monte mais. Uns eram mais interessantes, outros mais rápidos, outros perigosos.
Até que um dia, sem mapa, nem GPS viu um caminho diferente que nunca tinha visto, nem sabia que ele existia. Era um caminho cheio de música, cor e risos. Ele adorava esse caminho. Repetia todos os dias, andava por ele saltitando, estava feliz.
No dia seguinte o caminho colorido estava fechado para reformas, a placa dizia que era por pouco tempo. Ele pensou em esperar as reformas, mas passando pelo seu antigo caminho observou que não estava mais interditado. Sentiu-se esquisito, não sabia se passava por essas ruas sem cor que conhecia de cor. Olhou para o caminho colorido pela última vez e seguiu a direita, a esquerda e reto por toda vida.
Tuesday, May 12, 2009
Impressões de Algum Lugar, Mundo.
Ouve barulhos de criança que vem de um grande parque a sua frente. Resolve entrar. O parque é sujo, cheio de papéis, restos de copos plásticos; nada que ela esperava encontrar a milhares de quilômetros de casa. Estrangeiros e locais dividem o espaço público em pequenas rodas de violão, ou de cerveja, ou de maconha. E ha os solitários como ela, que leem ou olham a paisagem.
Ela estende a canga preta e branca que havia comprado de um ambulante em uma praia da sua terra natal e deita na grama. Observa tudo e tenta encontrar um significado para este momento em sua vida. Não encontra nada. Abre um livro, lê um parágrafo. O livro é bom, não há duvidas, mas um pouco masculino demais para a sua sensibilidade.
Um pouco enfadada do livro, abre seu bloco de notas e com a caneta macia que ganhou de presente de formatura, põe-se a escrever.
Escreve para ficar alheia a tudo. Para ficar invisível para o resto e visível para si mesma. Lembra-se da noite anterior: músicas, sotaques, línguas, drogas, bebidas e Joaquim.
Tão perdido quanto ela, sóbrio no meio de tanta gente louca. A princípio Letícia não o notou, reparou mais em seu amigo Rafael, um belo exemplo da raça masculina. Joaquim era normal, mas depois de sua primeira palavra, sua beleza cresceu. Era inteligente, engraçado, atencioso e quando sorria mostrava os dentes e fechava os olhos. Ela gostava de ver as pequenas rugas que se formavam ao redor dos seus olhos castanhos.
Naqueles momentos juntos não havia o seu país nem o dele, muito menos a música e as pessoas ensandecidas. Só havia dois jovens rindo e fazendo uma salada de idiomas. E como nada é perfeito, Joaquim vai ser pai de uma garotinha em 2 meses. Foi bom. Uma desesperança que a encheu de esperança. Lembranças que vem como o vento.
Saturday, April 11, 2009
Com a faca e o meu coração na mão
Só me mostro quando você parar de esconder
Fiquemos os dois deitados no escuro
Só falo se você perguntar
Estou sem vontade própria
Talvez esteja com medo
Espero algo que não sei que é
Isso vai acabar logo
Mas foi bom te conhecer
Saí da minha rotina, pus os pés no chão gelado da sua casa cinza, da cor do seus sentimentos
Sou capaz de me abrir, muito. Mas apenas depois do sinal
Pode ser que eu saia antes disso. Se você não quer entrar não tem problema
Na verdade não me importo muito. É tudo uma questão de vaidade que se cicatriza com o tempo.
A médium
Wednesday, March 25, 2009
Boazinha pero no mucho
Sunday, March 8, 2009
Chiaro oscuro
Inesperadamente tudo ficou claro, não claro de cegar, mas claro de esclarecer. Aí perdeu a graça e o sentido. Ficou óbvio que ela preferia a obscuridade, enganar-se.
Mas tudo bem, existem vários tons de claro, e os que ela conhecia eram todos desbotados, apenas resquícios de uma grande mentira, daí sua preferência pelo escuro. Mas tudo isso passou, talvez tenha sido sua culpa, não por maldade, mas por ingenuidade. Foi bom. Mais uma construtiva perda de tempo. Se aprendeu algo, foi só sobre aquele momento, agora ela volta mais uma vez para o preto total, que por sinal, adora.
Thursday, February 5, 2009
Tears for Dolphy
Fico hipinotizada e coloco no repeat. E só quero escutá-la quando fico sem ação. Quando não sei o que fazer. É como se eu parasse só para ouvir a música na esperança que ela pudesse me purificar.
Outro dia, pesquisando sobre Tears for Dolphy descobri que o seu compositor, Ted Curson a fez em homenagem póstuma ao seu amigo Dolphy. Foi uma música catarse. Ele também devia estar querendo se purificar da dor de perder um amigo. É engraçado como nos encontramos na catarse alheia.
Em Teorema os personagens estão também paralisados, sejam em seus vícios, nas suas crenças, ambições ou loucuras. Todos esperando um anjo cair do céu para ajudá-los a escapar do sofrimento. Essas pessoas têm tudo, mas falta algo e é essa falta que as tornam tão miseráveis. O que é que falta? É amor? O anjo traria amor?
Alguém pode realmente trazer amor? Tão subestimado e ridicularizado o amor. Falo de um amor maior, interior, de algo que inunda sem deixar afogar.
Tuesday, January 20, 2009
Mais leve que o ar
A casa abandonada dos meus pensamentos. Como uma onda me invade e se explode em choro. Um choro porque não cabiam palavras. Não se explica lágrimas. Elas apenas são. Agora sei que não quero voltar àquele lugar. Uma casa assombrada na memória que ainda pesa, mas vai se tornar balão.
Malditas músicas italianas
Há uns 2 meses estou igual louca tentando baixar umas músicas italianas dos anos 60 no Emule. Umas bem românticas. É engraçado, porque quando eu tinha 10 anos, viajei para a Pousada do Rio Quente com a minha família. Meu pai tinha uma Belina azul claro metálico, com aquele senhor porta malas, o chiqueirinho. Ele mandou fazer um colchão do mesmo formato pra meus irmãos e eu irmos deitados nas 10 horas de viagem.
O pessoal lá de casa sempre gostou muito de música, mas fomos despreparados pra viagem, levei uma fita cassete de alguma novela nacional da Globo – sim, eu era noveleira e comprava tudo quanto é trilha sonora. Minha mãe levou uma fita de músicas italianas (que na época eu achava que era francês). E fomos assim, 10 horas de viagem revesando as fitas. Na hora da música da minha mãe, a macacada (como meu pai chamava meus irmãos e eu) ficava reclamando, a gente torcia pra minha fita começar logo. Imitávamos o “francês” , zombando da minha mãe e essas coisas que crianças endiabradas adoram fazer. As músicas da minha mãe nunca saíram da minha cabeça.
17 anos depois, ouço essas canções e sinto algo tão bom, tão carregado de emoções e não sei se é pela lembrança da macacada no porta-malas acolchoado, ou se é porque agora entendo melhor as músicas, ou ainda, por que agora me entendo melhor. São músicas românticas demais, e é assim que eu sou: romântica demais. É um lado que tento negar tanto agora que o mundo é pragmático, os relacionamentos são superficiais e as pessoas são individualistas e egoístas. Não vou negar mais não. Sei que alguém ainda vai curtir Il cielo in una Stanza comigo, afinal românticos acreditam em finais felizes.
Café Latinita
Café Latinita does not stand out. And nor should it; cafés like this hang on every corner in Buenos Aires: a selection of white plastic tables covered in white table cloths surrounded by short deckchairs all glowing empty at 5pm whilst inside old men huddle individually over the sport section of evening papers and the waiters lean on the bar chatting passionately about something that does not matter at all.
I take my usual seat and wait for Alex, the waiter, my friend. I have been coming to this restaurant everyday since I arrived, over three months now, and it feels to me more homely than my rented apartment. On the table I lay my normal belongings; a cracked and scratched mobile phone that rings maybe once a week but never when it is near me, a packet of Camel Blues - one of its cigarettes turned up and therefore made lucky (I love irony more than I love anything else) – a half read novel I have read before (this week it is Kundera’s ‘Immortality’) and a disposable lighter that has been almost empty all week. Although I have had this paradisiacal setting almost every day and I soon took it for granted, there was something different about today, something even closer to perfection. The hot air had ceased suffocating the city and a weak breeze brushed the street; traffic had become strangely thin; numerous beautiful women stalked the shopping arcade, one of which had even given me an uncommon look of surprised attraction: yes, it was a good day to be me.
Alex and I, in my slow and repetitive Spanish, have had and keep having the same conversation everyday. He is over sixty with rich grey hair that softly falls from the middle of his head to below his ears, an elegant man who moves with smooth accuracy and always gives me a smile of genuine, although sometimes puzzled, affection. The conversation goes like this:
Alex: Andres, how are you?
Andrew: Alex, everything is good, and you?
Alex: Perfect! Is it too hot for you Englishman?
Andrew: No, never! But do you have a cold beer?
Alex: Cold? It is frozen!
Andrew: Perfect, one frozen beer please and the menu (although I already know what I will have.)
Alex: Of course, sir.
As he returns into the cool dark of the café’s insides, I breath out a full breathe and look at the main street one block away: to my minor surprise I see the woman who served me at the post office this morning cross the street in a mild rush, perhaps anxious to get home to waiting children, or a cooling shower, or just not to crushed flat by the oncoming traffic. These insignificant links in life’s tapestry is one of my chief joys; the little coincidences only I see and when expressed to anyone else would seem paltry and dull. To me, however, they are fascinating.
Alex returns with my beer and the ashtray he knows I would ask for. I give the menu a quick, fake look, just to make sure they haven’t added or subtracted anything, something they haven’t done since the restaurant opened over fifty years ago.
Andrew: I’ll have the ricotta cannelloni with the Bolognese sauce, please?
Alex: A wonderful choice, sir. You know all the pasta and sauces are made right here in the morning? (Yes, primarily because he tells me this everyday and it is one of the reasons I give the owner the majority of my money.)
Andrew: Yes, thank you.
Alex: Did you watch the Boca game last night?
Andrew: Of course! (Although I didn’t and rarely do, but always read up on the results for this precise occasion.)
Alex: Ah, it is too bad!
Andrew: Yes, they miss Gago, no?
Alex: Yes, he is a great player, and Real (Madrid) do not use him. It is too bad! (And with the look of a man who has just remembered in aching lucidity the first time he made love to his first love, he returns inside to pass on my order.)
I lean back, satisfied with another successful conversation in Spanish (although if he had varied even slightly off the script I would have been sent flying to my dictionary) and I see what I can see; the harsh sunshine streaming onto the pavement floor, the pot plants waving at each other in the weak wind, the dozens of women carrying shopping bags walking in front of their men who no doubt would have given a kidney to swap places with me rather than be taken to another clothes store (shopping in Buenos Aires is a daily religion). Briefly, my mind remembers my ex-girlfriend, wondered what she would have ordered, what she would have said. A Danish beauty with a five word name whose brutally humorous impression of my British accent – with a torrent of R’s after every shotgun barrelled vowel – never failed to make me smile, even when, as per usual, she was driving me crazy. Then she is gone and I am glad she is not here, monopolising the conversation with Alex in her perfect dialectic Spanish, leaving me to pretend to read the blurb of my book with sudden unexpected interest until he walks away, giving me a quick smile that says at the same time “Women! They talk like a river runs!” and “If you got your nose out of your fancy novels and studied that book of Spanish verbs we could have a proper chat for once!” Or something like that.
It is then that thoughts of the future, both of fear and freedom, rise within me. In a week my time here will end and I will move to Brazil, to Sao Paolo of all places, to become a stranger in a strange land once again. I find it remarkable that all the things I thought I had to do in my youth, now that I have done them, did not need to be done, and have brought with them few epiphanies and little clarity. Of course they had to be done, or I would be still dreaming of them but without the opportunities to do anything about solving them, a far worse situation. But I am hopeful for Brazil, if only to meet again one of the few women who have come close to the person I have been dreaming of for my last ten years, since women entered my head and refused to leave. Deep down I realise that we will never meet again but that does not stop my mind picturing her in front of me now, imagining a funny argument we might have as I watch her hair dance in the air. I return to Kundera.
Alex returns with my food and it is as good as I hoped it would be, as good as it was yesterday. He is a very proud man, like all Argentineans, and delighted that a man from as far away as England is so taken with the food he serves. While I eat he watches me from the corner of his eyes, desperate to talk to me about his beloved Boca Juniors even though I would only understand a small percentage of his words, would only ever be able to agree.
When I have finished my food, smoked a celebratory cigarette and have generously tipped him – a whopping two pounds - I sit back in my chair and take a moment before walking the two minutes back to my - thank God - air-conditioned apartment and almost finished novel that has been almost finished for over five weeks now. I think that when I leave I will miss Alex and Café Latinita more than anything else in Buenos Aires; more than the constant sunshine and conveyor belt of beautiful women, more than the afternoon naps and all night parties, more than the people I have met, more than the woman who became my girlfriend.
Walking home I stop and look at the table where I had eaten: my once cold beer stands empty next to the crowded ashtray and half full basket of fresh bread, my chair at an angle to the table, as if someone was soon to return to their seat. And then I realise I will never come here again.
Elle sait (para Ju e Danilo)
Beatriz não conseguia ficar triste, talvez ficasse um pouco aérea. Não sabia se era o remédio que tomava para a ansiedade ou se era a sua maturidade dando sinais de existência. Será que o tempo a endureceu? Se fosse há um ano ela se veria envolta a uma poça de lágrimas e se fecharia para tudo. Sozinha com seus livros e filmes esperando a dor passar.
Ultimamente ela parece saber o que quer. Estranho - ontem quando conversava com uma amiga que há tempos não via, alguma coisa estalou e depois ecoou em sua cabeça. “Sabe, Beatriz, quando a gente sabe o que quer tudo muda.”
E não é que mudou e ela nem tinha dado conta disso? Não dá para saber tudo, mas ela já sabe algumas poucas coisas que quer.
Porque é tão difícil saber o que quer? Parece que nós desviamos do verdadeiro desejo e colocamos uma lista de coisas materiais e impossíveis na frente. Beatriz costumava fazer listas: um jeans, um tênis colorido, blusas, livros, vestido tomara-que-caia, vestido estampado, saia no joelho, saia na coxa, namorado bonito, inteligente e rico, começar dieta, entrar para a academia, perder dois quilos, mudar de emprego, mudar de profissão, mudar de país, mudar.
Quem tem tempo (e espaço) para pensar no desejo mais íntimo com tanta besteira na frente? Há um mês economizando dinheiro para uma viagem que ela verdadeiramente quer, Beatriz está descobrindo os prazeres gratuitos e toda essa simplicidade a coloca em contato com ela mesma. O muro de excessos que existia entre ela e o espelho foi trocado por um véu de seda. Beatriz ainda não se vê totalmente, mas já enxerga suas formas, sua silhueta e dois brilhos começam a emergir em seus olhos.
Thursday, December 18, 2008
Abre aspas
Chego sem graça no trabalho, já eram quase onze horas, duas horas de atraso, mas se levar em consideração que eu trabalhei no feriado e no fim-de-semana, o que são duas horas? Acho que preciso ser mais cara de pau e mostrar nos meus gestos que conheço meus direitos. Tô muito longe de ser máquina. Demasiado humana.
Olhei para minha mesa e aquela confusão, todo mundo tentando fazer o meu trabalho, assumo meu posto e vejo as alterações que tenho que fazer, na sua maioria imbecilidades que meu chefe insiste em colocar para mostrar que sabe mais do que eu. Ele pode até saber umas coisinhas a mais de marketing direto, mas não fala japonês, não sabe quem foi Ted Curson, muito menos quem foi o Divino do Leite. Ele não entende que ninguém sabe mais que ninguém. Apenas sabemos coisas diferentes. Graças a Deus. Mas vamos deixá-lo brincar de todo poderoso. Algumas pessoas precisam disso.
Em um dos textos que ele pediu para que eu alterasse, estava escrito de caneta preta e letra nervosa: isso é citação? Colocar aspas. Citar o autor.
Ai que ótimo, colocar aspas no próprio texto que eu escrevi. Aliás eu deveria ter colocado. Abre aspas, fecha aspas. Carina Gonçalves. O imbecil não acreditou que o texto era meu, achou que eu copiei da internet e pior, tentou me ensinar o uso das aspas.
O texto estava tão bom que não poderia ser meu. Quanto descrédito. O texto não era meu mesmo, era do mundo, vinha das minhas referências, da minha vontade de entender o que se passa aqui, era um pouco de mim.
Engraçado. Foi eu escrever um pouco de mim que ele não acreditou que o texto era meu. Acho que não ando escrevendo sobre mim, acho que não tenho me colocado pra fora. E eu tenho tanto pra despejar…
Ultimamente tenho me achado medíocre no trabalho. Faço tudo rápido e sem vontade. Quero acabar logo com tudo para sobrar mais tempo para responder emails, ficar de papo com os amigos, e porque não, ver um filminho?
Algo tem que mudar. Ou eu me coloco pra fora, ou eu me coloco pra fora e fecha aspas.
Monday, November 17, 2008
Nadar faz bem
Esconder o quê? De quem? Para quê? Esconde-esconde nunca foi seu forte, muito menos brincar de gato e rato. Ela não gostava dessas brincadeiras porque sabia como ninguém o que era o faz-de-conta e aquilo tudo era muito amador.
Agora ela ouve aquela música com a Billie Holiday cantando e entende cada palavra, cada suspiro e aquilo dói dentro dela. All of me. Dói mas é lindo. Ela está viva.
Wednesday, October 29, 2008
Linda quando lida
Thursday, October 9, 2008
Qualquer coincidência é mera semelhança
carina, vc é fofa
ouvi uma musica que falava de vc
é essa:
Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente
Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda
Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana
Fala inglês e canta em inglês
Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus
E lava os cabelos com shampoos diferentes
Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa
E corre quando quer
Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano
E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga
Tem computador e rede, rede para dois
Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão
Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs
Vai ao teatro, mas prefere cinema
Sabe espantar o tédio
Cortar cabelo e nadar no mar
Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda
Estou com saudades e penso tanto em você
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda
Tuesday, September 30, 2008
Sambinha do Single and Fabulous
quem cedo madruga
é então na madrugada
que eu fico animada
Quem gosta de rua
sabe o que eu tô falando
então me deixa
ficar na cama enrolando
Não tenho amor que me queira
mas não me preocupo com isso
porque o samba e a cerveja
são o meu compromisso
Eu não sou vagabunda,
não sou não senhor
só porque o que eu mais quero
é ficar no cobertor
Vê se me esquece,
que um dia eu me arranjo
você quer ver como vai longe
essa minha cara de anjo
Trabalho o dia inteiro
pensando logo na noite
junto cada centavo
só pra entrar numa boite
Você ainda pergunta
onde é que eu vou chegar
não vou te dar satisfação
mas te encontro lá
Wednesday, September 17, 2008
Bemol e sustenido
Moveu um pouco a cabeça e como sempre fazia, tentou buscar uma explicação para seu desânimo. Olhar para o piano a transportava para a sua infância, quando tinha aulas com a Tia Marilene. Desde essa época, Olívia se mostrava desconcentrada do real e concentrada em seu mundo. Tocava aquelas teclas desordenadamente, achava que estava compondo. Sua cabeça flutuava em um grande concerto em que ela era a grande pianista e compositora, ouvia aplausos. Mas logo uma voz a acordava e ela saía do grande teatro para voltar à sala de piano da sua professora.
- Olívia, pára de brincar, você vai desafinar meu piano.
Resignada ela voltava para o Béla Bartók e assim ficava até dar a hora de voltar pra casa.
Decepcionada. É assim que se sente. Mais uma vez a expulsaram do grande teatro da sua imaginação. Mas com quem ela está decepcionada? Com o porteiro do teatro que fingiu não reconhecê-la, ou por acreditar que poderia estar naquele palco?
Promessas. Promessas suas. Promessas deles. Uma vez ela leu que a promessa era eterna porque ela nunca se realizava, depois que se realiza deixa de ser promessa. E enquanto não se realiza existe a esperança de que ainda vai acontecer.
E essa promessa ficou promessa, como todas as outras que já escutou até hoje. Como uma criança que morre e sempre permanecerá criança para quem a conheceu.
O que fazer? Levantar do sofá como sempre, arrumar aquela força que vem das notas musicais. Olívia sabe que é feita de música, agora ela precisa de um cresciendo. E o resto fica para trás, não foi música, foi barulho.
Thursday, August 7, 2008
I don't know
Mal ele começou a falar e eu já me identifiquei. Suas primeiras palavras foram I don’t know. Só alguém muito sábio poderia responder aquela pergunta cabeluda com essas simples 3 palavras. Gostei de ver aquele monstro do cinema sorrindo e confessando que não sabe tudo.
Minha identificação não foi com a sabedoria dele, estou longe de ser sábia. Foi uma sensação confortante que ele passou. É normal não saber tudo. É normal ser você mesmo. É normal falar I don’t know. E eu falo I don’t know para muita coisa. E às vezes me dói dizer essas palavras. Queria saber mais. Mas depois que o David Lynch falou que não sabe, conti a minha ansiedade e consegui me dimensionar no espaço e tempo. Não saber é chegar mais perto da nossa essência, que é tão simples que passa despercebida pelos nossos olhinhos caçadores de complicação.
Ele falou outra coisa que gostei: “eu odeio trabalhar, apenas gosto de transformar minhas idéias em realidade”. Que eufemismo maravilhoso para trabalho, não? Nas nossas idéias estão embutidos nossos desejos e pricipalmente nossos sonhos. Que maravilha seria trabalhar com a realização dos sonhos. Por mais difícil que pareça isso é possível, afinal ele consegue. Tudo bem que estamos falando de David Lynch, ele até faz parecer fácil, mas não é. Pelo que consegui extrair da palestra tudo depende do nosso interior, da nossa relação eu-mundo, da tranquilidade que traz o auto-conhecimento. Quando sabemos quais são nossos limites, nada mais pode nos limitar.
Isso pode parecer texto de auto-ajuda, interprete como quiser. Não ligo. Só tive vontade de me expressar. Lynch chamaria este desejo de expressar de idéia. E para ele as idéias estão no ar como bolhas de sabão, mas elas são frágeis, podem estourar a qualquer momento. Você precisa aprender a pegá-las, fisgar o peixe grande. Não deixe sua idéia passar, aproveite o momento que ela surge, seja fiel a ela e faça acontecer.
Aí que entra a intuição. Para o mestre (já virou mestre, meu guru), existe a inteligência e a emoção e no meio e acima delas existe a intuição, que é o equilíbrio. É o inexplicável, é a nossa voz interior falando. A voz existe, mas quase nunca ouvimos e por isso desistimos de nossos desejos, abandonamos nossas idéias, sofremos, deprimimos, estressamos.
Como ouvir essa voz? I fucking don’t know. Temos que tentar, temos que nos preencher. Preencher a alma com a beleza. Ontem tomei um banho de beleza na sua palestra. A cada 5 minutos ele falava no seu inglês gostoso de escutar: “It’s beautiful”, podia-se ouvir a paixão na sua voz. Certamente a voz interior é apaixonada.
Às vezes me falha um pouco a memória para lembrar de tudo que foi falado, queria ter tudo gravado para ouvir toda vez que me desanimasse. De qualquer jeito, ele conseguiu me tocar, o resto vou lembrar, tenho certeza que essas frágeis bolhas de sabão vão aparecer na minha frente e não vou deixá-las estourar.
