Wednesday, November 11, 2009

Música boa

Lá pelas tantas na boate, já bêbada de tanta cerveja, andava sorumbática, até que seu amigo gay a alertou:

- Olha o gatinho ali, e é HT, viu menina?

Aproveitou da sua borrachera para dar um oi.

- Oi!

- Oi!

Ela saiu fora, ele a puxou pelo braço:

-Volta aqui.

E muitos blá blá blás depois, ficaram.

Bêbada, ela ficava atirada, e ele encantador, ou talvez fosse só uma ilusão de álccol.

- Vamos lá pra casa?

- Onde você mora?

- Aqui perto, num condomínio em Nova Lima.

- Ah, será? Você tem computador lá? Só vou se você deixar eu te mostrar uma música do meu mp3 player.

- Tenho um som lá. Serve?

- Mas toca mp3?

- É... não sei, a gente pode tentar.

- Ok.

- Vamos no meu carro?

- Não, prefiro ir no meu.

E ela foi seguindo o rapaz.

Chegaram na casa, que mais parecia uma casa de campo com quadras, piscina e nenhum móvel, só uma cama box de casal.

- Você mora aqui?

- Não, na verdade, essa é a casa de campo dos meus pais.

- Hum...

O som era daqueles microsystems velhos, que nunca teria uma entrada USB.

Na falta de música, foram para o único móvel da casa e lá permaneceram a noite toda.

De manhã acordaram e conversavam coisas banais e engraçadas. Até que ouviram barulhos pela casa:

- Parece que não estamos sozinhos.

- Putz, são os meus pais!

- Mas eles são tranquilos?

- Não. Nenhum pouco.

- Ai que vergonha! Vou pular a janela.

- Se quiser eu trago seu carro pra cá, você faria isso por mim?

- Acho que sim, essa situação seria embaraçosa, né?

- Sim, muito.

Beijou-a novamente e perguntou:

- Você tem namorado?

- Não, por quê? Você tem namorada?

- Tenho.

Ela tentou fingir a cara de surpresa, mas não se sabe se conseguiu.

- Ah é? E namoram há muito tempo?

- 3 meses.

- E cadê ela?

- Deixei ela em casa e saí. Muito chata. Muito carente.

- Hum.. Aqui, já tá ficando tarde, melhor eu ir embora.

- Ok. Vou trazer seu carro pra perto da janela, tá?

- Ah não, pode deixar. Vou pela porta da frente mesmo.

- Tem certeza? E os meus pais?

- Tem problema não, querido. Vou adorar conhecê-los.

Ela vestiu a roupa da noite anterior, arrumou a maquiagem e saiu se sentindo poderosa.

Os pais do garotinho estavam cozinhando o almoço.

Ela foi até a mãe, se apresentou, deu um beijo e um abraço.

- Almoça com a gente hoje - convidou a mãe.

- Não mãe, ela tem compromisso.

- É, hoje eu tenho compromisso, mas fica para próxima. A propósito, o seu jardim está muito bem cuidado.

- Obrigada - a mãe sorriu orgulhosa.

O pai do garotinho olhava aquela cena com a cara mais constrangedora do universo, como se já tivesse passado por algo semelhante, e não foi tão receptivo com a garota petulante, mas mesmo assim, ela não se deu por vencida, foi até o velho babão e o cumprimentou com um dos seus sorrisos mais cativantes e irônicos, claro. Ela estava se divertindo.

O menino de 30 anos a levou até o carro.

- Você tem meu telefone. Pode me ligar.

- Ah, mas que bom que eu posso. Obrigada, pode esperar.

E despediu do bebezinho com um beijão que constrangeu aquele almoço de domingo.

Entrou no carro, apagou o telefone do bebezinho, ligou o som no talo e ouviu sozinha a música que tanto queria ouvir na noite passada. Chegou a uma conclusão: música boa não é para qualquer um.

6 comments:

SchwencK said...

cáá, baixa esse filme tcheco, tem ele no mininova com legenda em portugues!! nao teve como nao lembrar dele quando li! assisteee! vc vai gostar!!
Lásky jedné plavovlásky
bjao queridaaa
saudade demais!

Begem said...
This comment has been removed by the author.
Begem said...

adorei o final deslumbrante dessa historia algo dramatica... Ahazou!

Carina said...

hahaha brigada, gata. é praticamente uma dramédia hehe

beijinhos.

Lo said...

Ge-ni-al!

Daniel Bayão said...

Legal, boa mesmo, que tal vc escrever a versao do ponto de vista do menino de 30, que acha?