Tuesday, February 2, 2010

O hino do fim

Era noite e eu dirigia pra casa, mais tarde pegaria um ônibus pra São Paulo.
Nos ouvidos, contra a lei de trânsito, fones. Não tinha som no carro e tão pouco compraria.
Não me lembro bem quais músicas estavam tocando. Só de uma, que começava com um violãozinho e um teclado, uma estética bem mpb anos 80. Não fosse sua melodia linda, até poderia tê-la chamado de cafona. Já tinha ouvido aquela canção dezenas de vezes, mas nunca nem parei pra pensar no que o cantor falava.

Naquela noite, no meio do trânsito caótico e completando duas semanas de rompimento, pelo qual não havia derramado uma lágrima sequer, comecei a entender tudo. Tão automático como uma tradução simultânea. Foi aí que chorei. Ia entendendo e chorando.

Não. "Não mereço um beijo partido". E o verso libertador: "eu serei pra você o que não me importa saber". Desde então ouvi várias versões de Beijo partido, em português, inglês, instrumentais. Versões mais bonitas que a do compositor, como a da Nana Caymmi. Outras versões de términos nunca bonitas.

Beijo partido - Toninho Horta
Vale escutar com a Nana e com o Milton

6 comments:

Lo said...

Vai me dizer que não é típico: ouvir, mas quando eu digo ouvir, eu quero dizer ouvir mesmo, uma letra de música que conte a sua história, e quando eu digo a sua história eu quero dizer a sua historia mesmo, no carro, enquanto se enfrenta a estupidez da vida materializada em um engarrafamento?

Quem nunca chorou ouvindo rádio cafona no trânsito pós fim de relacionamento que atire a primeira pedra!

farinhademandioca said...

"Ia entendendo e chorando." Como uma música. Lindo.

Carina said...

:)

Adriano Docconi said...

Muito foda a letra mesmo.

Carina said...

vc ouviu?

Daniel Bayão said...

O transito tb me faz chorar as vezes, entendo rs