Thursday, October 7, 2010

My personal google

Seu Vicente nunca quis aprender a mexer no computador. “Nunca quis” é meio exagero, porque ele tentou muitas vezes e desistiu. Ele até sabe usar um pouco o Google maps, ferramenta que achou interessantíssima por sinal.

Sempre falo com ele, olha no Google, papai. Sei lá se ele olha ou não, o fato é que o Seu Vicente é um Google espontâneo, muito confiável, e muito mais simpático. Espontâneo porque me passa informações sem que eu esteja procurando, e não são poucas. Confiável, porque aquele lá não tem nada de wikipedia, fala e cita as fontes. Simpático porque... já pensou em conversar com o Google?

- E aí, Google, beleza? Nossa, cara, tô precisando saber umas coisinhas...

- Fala, Carina, como é que você tá hoje? Resolveu aqueles problemas?

Ok, acredito que haveria pessoas que não gostariam de um Google conversador, mas tudo bem. Eu sou meio carente, gosto que conversem comigo e perguntem da minha vida.

Voltando ao meu pai (dos burros), hoje de manhã, enquanto eu comia, falávamos um pouco de portunhol, frantuguês e italiguês como de costume, aí ele me ensinou uma coisa que pode ser completamente desnecessária para minha vida, mas que eu gostei tanto de saber!
Quase todas as palavras começadas com Al e algumas com A da língua portuguesa vêm do árabe! Olha que interessante. Aí, claro, eu tive que testá-lo.

- Álcool? Alfinete? Albergue? Alcova? Almoço? Alface? Almeirão? Almoxarifado? Alcaparra? Alcade? Almofada? Alpargatas? Alpendre? Arroz? Açúcar? Azeitona? etc? Almirante? – Essa ele não tinha certeza, abacate também ele não sabia (vou olhar no Google depois).
Enfim, falei tanta palavra começada com A que cheguei atrasada no trabalho como de costume.

Depois disso fiquei pensando como é bom ter esse Google em casa. Lembrei de um texto do Espalitando o Dente, em que ele fala que visita à família não pode durar mais do que 20 minutos. Eu entendo isso e concordo em partes. Mas para visitar a biblioteca chamada Seu Vicente tem que ser mais tempo. Tem que ser a vida toda e ainda é pouco. Me lembrei também do livro infinito de Borges. Não seria toda pessoa um livro infinito? As pessoas têm começo e fim, mas o que elas sabem não. Você pode viver mil anos que nunca vai conseguir saber tudo o que outra pessoa sabe. É como querer saber tudo que tem no Google, o verdadeiro.

4 comments:

AC said...

"Me lembrei também do livro infinito de Borges. Não seria toda pessoa um livro infinito? As pessoas têm começo e fim, mas o que elas sabem não."
Creio que o que faz com que o que as pessoas sabem seja um livro infinito, são as inúmeras portas abertas à espera de resposta, mas sempre com potencial para as ultrapassar. Ora, como as portas são infinitas...

beijo :)

Carina said...

Sim, AC, como são!

beijão!

contoscurtos said...

Adorei! Uma das melhores crônicas que eu já li.

Luciana said...

pode colocar a contribuição do aguacate aí!